Ale-RR recorreu ao STF para suspender a decisão que autorizou a candidatura de Jalser Renier. Recurso foi protocolado na última terça-feira (18).
Jalser, réu por sequestro e tortura de jornalista, teve o mandato cassado em 2022. Ele acusa o presidente da Assembleia, Jorge Everton (União Brasil), de perseguição.
Legislativo alega que o STF não poderia julgar o caso, pois o processo de Jalser ainda aguarda análise de recurso no Superior Tribunal de Justiça.
Na liminar de 5 de agosto, o ministro Nunes Marques afirmou que barrar a candidatura de Jalser prejudicaria o partido e outros candidatos nas eleições.
Procurado, Jalser chamou Everton de "raposa velha que perde o pelo, mas não perde os costumes". O g1 solicitou um posicionamento a Everton e aguarda retorno.
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A Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar impedir que Jalser Renier (PSDB) dispute as eleições de outubro. A Casa pede a suspensão imediata de uma decisão do ministro Nunes Marques, tomada em 5 de agosto, que devolveu parte dos direitos políticos ao ex-deputado.
Procurado pelo g1, Jalser rebateu o recurso e acusou o atual presidente da Assembleia, o deputado Jorge Everton (União Brasil), de perseguição. Ele chamou Everton de "raposa velha que perde o pelo, mas não perde os costumes".
O g1 solicitou um posicionamento a Everton, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.
O recurso da Ale-RR foi protocolado na última terça-feira (18). Jalser é réu na Justiça por mandar sequestrar e torturar o jornalista Romano dos Anjos, em 2020. Ele teve o mandato cassado em 2022 por quebra de decoro parlamentar e está inelegível até 2030.
Desde então, o ex-presidente da Ale-RR teve pelo menos oito recursos negados pelo STF antes da decisão de agosto, que liberou a participação dele em convenções partidárias e nos demais atos das eleições de 4 de outubro.
Por que a Assembleia recorreu
Segundo a Ale-RR, o Supremo ainda não poderia ter julgado o caso, porque o processo de Jalser segue parado no Superior Tribunal de Justiça (STJ), aguardando o julgamento de um recurso anterior. Para a Assembleia, a competência do STF só começa quando o processo chega fisicamente à Corte, o que, segundo o recurso, ainda não aconteceu.
A Casa também alega que o ministro Nunes Marques já havia negado um pedido idêntico de Jalser em 31 de março deste ano, usando exatamente esse argumento. Para a Assembleia, nada mudou na situação do processo que justificasse a mudança de entendimento.
O recurso ainda sustenta que a decisão de agosto não teria analisado os argumentos apresentados pela Assembleia, limitando-se a uma frase genérica sobre a posição contrária do órgão.
A Assembleia alega que a participação de Jalser pode interferir no cálculo de votos necessários para eleger deputados em Roraima, afetando outros candidatos que concorrem a vagas proporcionais. Por isso, pede urgência no julgamento, antes da eleição de outubro.
O que diz a decisão de Nunes Marques
Na liminar de 5 de agosto, Nunes Marques afirmou que impedir a candidatura de Jalser antes do julgamento definitivo do recurso poderia prejudicar não só o ex-deputado, mas também o partido e os demais candidatos da chapa, por causa do sistema proporcional das eleições.
O ministro também disse que, em uma democracia, os eleitores devem ser os protagonistas do processo eleitoral. Segundo ele, o recurso de Jalser ao STF não busca anular a cassação, mas reabrir a ação que questiona a perda do mandato.
Nunes Marques ponderou ainda que atos internos do Poder Legislativo não são totalmente imunes ao controle do Judiciário quando há alegação de violação a garantias constitucionais, como o direito de defesa.
Por que Jalser foi cassado
Jalser perdeu o mandato em fevereiro de 2022, ao fim de um processo disciplinar por quebra de decoro parlamentar, aberto depois de ele ser apontado como suspeito de mandar sequestrar o jornalista Romano dos Anjos. Como presidente da Assembleia na época, ele também foi acusado de:
não investigar servidores lotados no próprio gabinete suspeitos de integrar organização criminosa dentro do parlamento;fazer ameaças diretas ao governador do estado;tentar intimidar autoridades para atrapalhar investigações policiais.
A Ale-RR reforça, no recurso, que a cassação foi baseada nessas condutas políticas, e não diretamente nos crimes de sequestro e tortura, que são apurados em uma ação penal separada, na qual Jalser é réu.
Histórico de derrotas na Justiça
Segundo o documento apresentado pela Assembleia, Jalser tentou reverter a cassação pelo menos 18 vezes, em diferentes tribunais — Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), STJ e STF. A Ale-RR afirma que nenhuma dessas ações reconheceu irregularidade no processo que resultou na perda do mandato.
Agora, cabe ao ministro Nunes Marques decidir se reconsidera a própria decisão ou se encaminha o recurso para julgamento pela Turma do STF. Enquanto isso não acontece, a decisão que devolveu os direitos políticos de Jalser segue valendo.
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