Se para muitos estudantes as mais de cinco horas de duração em cada um dos dias do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) são um verdadeiro teste de resistência, para Lívia Bianchi, provas de fôlego nunca foram um problema.
A aluna de 17 anos, que pretende cursar Medicina, faz natação desde os 2 anos de idade e, no ano passado, conquistou o primeiro lugar em uma prova de 3,5 km no litoral de São Paulo.
E ainda que superar grandes distâncias em mar aberto possa parecer um grande desafio, o que tem ocupado a cabeça da jovem nos últimos meses é, na realidade, como conciliar o esporte, sua paixão desde pequena, com o sonho de entrar em um curso concorrido como Medicina.
➡️Ela é uma das mais de cinco milhões de inscritos que devem realizar o Enem neste domingo (8). O segundo dia do exame acontece na próxima semana, no dia 15.
Atualmente, ela divide sua rotina entre os treinos de natação e fortalecimento muscular, duas vezes por semana, e a dedicação de três a quatro horas por dia aos estudos para o vestibular.
"Não é nada fácil conciliar as duas coisas. Muitas vezes eu já pensei em desistir do sonho da Medicina ou em abrir mão completamente do esporte. Mas entendi que a gente aprende com o tempo e que estava tudo bem se eu não conseguisse seguir uma rotina perfeita", relata a estudante.
Ela conta que o desejo de se tornar médica é anterior às competições de natação, surgiu já aos quatro anos de idade. E, ao longo da infância e da adolescência, os dois sonhos caminharam juntos – algo que teve que mudar no fim do Ensino Médio.
Foi nesse momento que ela passou a ter que reduzir a quantidade de treinos para poder focar mais nos estudos e teve que abandonar um pouco as águas para mergulhar de cabeça nos desafios que precisavam ser vencidos dentro da sala de aula.
"Tive que reajustar toda minha rotina, especialmente nesse último ano. Participei de só uma competição no início do ano e não fiz mais nenhuma por conta das demandas da escola. Foi uma decisão muito difícil, mas às vezes a gente precisa saber escolher como usar nosso tempo da melhor maneira", comenta Lívia.
Mesmo que as provas de natação tenham uma carga de responsabilidade, por se tratar de um ambiente competitivo, o esporte sempre foi uma válvula de escape para a estudante.
Lívia conta que estar na água é uma forma que encontra de deixar seus pensamentos fluírem, um ambiente em que se permite não pensar em mais nada.
"Na piscina é o lugar onde eu consigo realmente relaxar, não focar nas preocupações, nos estudos, ficar bem tranquila", reflete.
Segundo os professores, momentos assim são essenciais em meio a uma rotina intensa de preparação para o Enem e para os demais vestibulares.
Se permitir descansar também faz parte do processo de aprendizagem, já que permite que o aluno seja capaz de olhar com mais clareza para os desafios que vai enfrentar nas provas.
Treinamento de pressão
Além de ser uma atividade que Lívia considera como muito importante para aliviar a mente, a natação ao longo dos anos foi essencial para ensinar a jovem a lidar com momentos de pressão.
"Obviamente é muito mais difícil ficar cinco horas fazendo uma prova do Enem porque tem muito mais pressão. Você fica muito mais tenso, tem que ficar extremamente focada, não pode olhar para o lado. É muito pior que uma competição de natação", compara.
Ainda assim, ela entende que a preparação para provas no esporte fez com que ela aprendesse a conviver melhor com essa pressão.
A estudante vê que ambas são momentos em que é preciso ter em mente que não se tem tudo sob controle e que é preciso manter a calma para conseguir o melhor resultado possível.
"Do mesmo jeito que eu tenho que ficar tranquila para uma competição de natação, eu não posso ficar ansiosa no Enem. Eu tenho que conseguir ficar calma para colocar em prática tudo que eu treinei, tudo que eu aprendi", afirma Lívia.
Para além da tranquilidade, a jovem entende que a natação também foi essencial para que ela aprendesse a ser resiliente e saber enfrentar todo o tipo de desafio.
"A natação me ensinou a nunca desistir do que eu queria fazer, a ter persistência. Foi a natação que fez com que eu não desistisse dos estudos", diz.

