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Alunas de escola pública do Pará transformam caroço de açaí em alternativa para tratamento de água

28/09/2026

Alunas de escola pública do Pará transformam caroço de açaí em alternativa para tratamento de água

Quatro alunas de uma escola pública de Parauapebas desenvolveram um projeto que usa caroços de açaí para auxiliar no tratamento de água impactada por resíduos minerais.

A pesquisa utiliza taninos extraídos do caroço da fruta para produzir um coagulante natural e está na semifinal do Solve for Tomorrow Brasil 2026.

As estudantes também desenvolvem uma usina piloto automatizada para realizar e testar o processo de extração.

Quatro alunas da Escola Estadual de Ensino Médio Irmã Dulce, em Parauapebas, no sudeste do Pará, desenvolveram um projeto que utiliza caroços de açaí como matéria-prima para auxiliar no tratamento de água impactada por resíduos minerais. A pesquisa está na semifinal da 13ª edição brasileira do Solve for Tomorrow Brasil.

Batizado de "Euterpe-Aqua: Da Biomassa do Açaí à Tecnologia de Recuperação Hídrica", o projeto investiga a extração de taninos presentes no caroço da fruta para produzir um coagulante natural. A proposta surgiu a partir de duas questões presentes no município: o descarte dos caroços de açaí e os impactos da atividade mineradora sobre os recursos hídricos.

Segundo o professor Roberto Costa da Silva, que orienta o grupo, a pesquisa começou a partir da observação de um resíduo comum no cotidiano das estudantes.

“O projeto nasceu de uma pergunta muito simples sobre algo que vemos sendo descartado todos os dias na comunidade. Uma das alunas começou a pesquisar o que poderia ser feito com o caroço do açaí e encontrou o tanino. A partir daí, elas perceberam que poderiam unir esse resíduo a uma problemática muito presente em nossa cidade”, explica.

O projeto das estudantes paraenses está entre os semifinalistas da edição de 2026 do Solve for Tomorrow Brasil, programa voltado a alunos e professores do Ensino Médio de escolas públicas.

A iniciativa trabalha com projetos baseados na abordagem STEM, que reúne Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Segundo a organização, a edição deste ano teve aumento de 7,7% no número de projetos inscritos em relação a 2025 e crescimento de 11% na participação de estudantes mulheres.

Estudantes desenvolvem usina piloto

Para realizar a extração dos taninos, as estudantes trabalham no desenvolvimento de uma usina piloto automatizada. O equipamento utiliza a plataforma Arduino para controlar etapas como o aquecimento e a agitação da biomassa.

A equipe está na fase de aprimoramento do protótipo e de realização de testes de extração. As alunas também estudam formas de aproveitar os resíduos que permanecem após o processo.

“Elas estão percebendo que a ciência não está distante da realidade delas. Elas observam um problema, pesquisam, fazem descobertas, aplicam o conhecimento e pensam em como aquela solução pode beneficiar outras pessoas”, afirma Roberto.

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