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Análise: Fortaleza vira refém dos próprios erros e vê invencibilidade mascarar instabilidade

03/10/2026

Análise: Fortaleza vira refém dos próprios erros e vê invencibilidade mascarar instabilidade

Um time irreconhecível aos olhos do seu torcedor. O Fortaleza volta a acumular erros, desperdiça pontos cruciais e frustra em casa novamente diante do Náutico, nesta sexta-feira (2). A queda vertiginosa de rendimento preocupa e acende o sinal vermelho para as sete decisões que restam na Série B.

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A 31ª rodada nem terminou, mas já parece um pesadelo para o torcedor tricolor, que dormiu sonhando com a liderança e acordou na 5ª posição. Sob o comando de Paulo Autuori, o Leão inverteu a lógica da passagem de Carpini: o aproveitamento dentro de casa tornou-se pífio, um contraste incômodo para uma equipe que ainda ostenta 12 jogos de invencibilidade no returno.

Com o experiente treinador, que assumiu no fim de julho, o Tricolor somou apenas oito de 18 pontos disputados na Arena Castelão. O retrospecto de uma vitória e cinco empates é insuficiente para quem ambiciona vaga direta, entre os dois primeiros colocados, à primeira divisão.

O duelo: filme repetido

A partida contra o Timbu foi a reprise de um filme que a torcida já se cansou de assistir: chances claras desperdiçadas no ataque e vulnerabilidade crônica na defesa. É como se os adversários já estivessem vacinados contra o modelo de Autuori.

A decepção do público na Arena Castelão, menos da metade dos torcedores presentes no jogo contra o Athletic-MG, começou antes dos cinco minutos. Bola nas costas de Kaio Henrique, facilidade Arnaldo para cruzar e achar Vinícius livre de marcação. João Ricardo nada pôde fazer. As laterais continuam sendo o calcanhar de Aquiles tricolor e, sem correção, os pontos vitais vão escorrendo pelos dedos.

O Leão pareceu acusar o golpe. Tomado pela ansiedade nas tomadas de decisão, viu até o experiente Pedro Henrique falhar em duas chances claras para marcar.

A redenção incompleta

Criticado na rodada anterior após perder um gol cara a cara, Luiz Fernando buscou a redenção ao acertar um belo chute no ângulo e empatar ainda na etapa inicial. O atacante, que não balançava as redes há cinco meses, parecia ter sua noite de redenção junto à torcida tricolor.

Vale lembrar que o camisa 32 atravessa um momento delicado fora das quatro linhas após a perda recente do irmão. Trata-se de um dos atletas mais dedicados do elenco, até mesmo fora de sua posição de origem ao atuar centralizado. No segundo tempo, contudo, voltou a faltar lucidez para definir outro lance de perigo antes do corte da zaga pernambucana.

Cadê Miritello?

Com um elenco enxuto e escassez de gols nas últimas rodadas, o Fortaleza não pode se dar ao luxo de abrir mão de Miritello. Mesmo com suas oscilações, o argentino é o vice-artilheiro do time no ano, com 10 gols, e oferece a presença de área que faz falta na disputa física contra os zagueiros.

A ausência do camisa 9 pela segunda rodada seguida, por opção pura e simples da comissão técnica, é no mínimo questionável. Sem confirmações nas entrevistas, o cenário nos bastidores aponta um desgaste na relação entre o jogador e Autuori.

O drama tricolor no setor ofensivo fica ainda mais delicado diante da lesão muscular de Chico da Costa, restando Nathan Fogaça como alternativa imediata para a função de 9.

Quatro atacantes e meio-campo deserto

O Fortaleza começou o confronto com quatro homens de frente, mas a lucidez continuou concentrada quase que exclusivamente em Maílton, pela direita, de onde nasceu o passe para o gol de empate. No entanto, a ideia da linha ofensiva mais adiantada, deixou o meio-campo mais esvaziado e desprotegido sem a figura de Rodriguinho à frente dos volantes.

O primeiro tempo apresentou um jogo animado, enquanto a etapa final foi de pouca inspiração dos dois lados, mas, principalmente, do Fortaleza, que briga pelas primeiras posições. A equipe caiu de rendimento, as mudanças não melhoraram o cenário e o filme foi repetido.

Depois de desperdiçar pontos em casa contra São Bernardo, Ceará, Operário-PR, Athletic-MG e Náutico, adversários que estão na metade da tabela, o Fortaleza agora tem a obrigação de pontuar fora contra o América-MG e vencer o CRB-AL, no Castelão. Caso contrário, colocará em risco real o grande objetivo de 2026.

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