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Após conquista prata em Fortaleza, time de vôlei master de RO mira 2027: "Algumas paixões não ficam velhas"

10/10/2026

Após conquista prata em Fortaleza, time de vôlei master de RO mira 2027: "Algumas paixões não ficam velhas"

Treinando na Escola Roberto Duarte Pires, em Porto Velho, o time de vôlei Naftas superou expectativas ao conquistar a prata nacional e já planeja a preparação para 2027.

Criado há 10 anos para ajudar a coordenadora Gel Matos a superar a depressão, o projeto cresceu de 4 para mais de 30 atletas em Porto Velho.

A equipe das Naftas conquistou a medalha de prata na disputa do Campeonato Master de Vôlei, em Fortaleza, enfrentando times de todo o país. O resultado nacional coroou a rotina de treinos que o grupo mantém na quadra da Escola Estadual de Ensino Fundamental Professor Roberto Duarte Pires, em Porto Velho. A conquista em solo cearense superou as expectativas do elenco rondoniense.

— A vontade de vencer supera as deficiências técnicas e táticas. Nem nos meus melhores sonhos eu acreditava que seria possível. Era bem distante o sonho de irmos a uma competição nacional. Eu ainda estou pensando que é um sonho. Olho para o troféu, olho para a medalha e penso: caramba — celebra a atleta e coordenadora Gel Matos.

A estrutura para a preparação diária vem da parceria com a comunidade escolar. A diretora da escola Roberto Pires, Rosileia Fernandes, abriu as portas da instituição para abrigar o projeto.

— Nós estamos cedendo espaço para a comunidade, vendo a nossa escola cumprir esse papel — afirma a diretora.

Com a medalha no peito, o planejamento das Naftas já mira o futuro. O técnico Jean Meireles e a coordenação trabalham para intensificar os treinos e garantir vaga no Campeonato Nacional de 2027.

O recomeço após 20 anos

A trajetória do time começou após um hiato de duas décadas longe do esporte. O reencontro com a modalidade ocorreu por recomendação médica para Gel Matos, que enfrentava um quadro de depressão.

— A gente se encontrou depois de 20 anos. Eu tive depressão e a gente se afasta. Uma psicóloga me perguntou o que eu gostava de fazer na infância e adolescência. Respondi que gostava de jogar vôlei, e ela me mandou voltar — conta Gel.

A iniciativa reuniu apenas quatro mulheres no início. Dez anos depois, o projeto conta com mais de 30 praticantes em Porto Velho, deixando no passado a fase de derrotas nos primeiros torneios.

— Todo mundo já tinha jogado vôlei, mas o esporte estava no esquecimento. A gente continuou e fomos persistentes — relata a atleta e coordenadora Mara Alves.

A escolha do nome "Naftas" surgiu de uma brincadeira bem-humorada sobre a volta às quadras.

— Nós estávamos guardadas nos armários, engavetadas. Falei: cara, vamos dar um nome? Falei que naftalinas caía bem, todo mundo tirando a joelheira do armário com cheiro de mofo. E de naftalinas virou Naftas — relembra Mara.

Renovação da saúde e convite a novas atletas

A rotina do grupo combina rendimento esportivo, cuidados com a mente e convivência social. Aos 67 anos, a atleta Irene Brasil é a integrante mais experiente do elenco e mantém a intensidade nos exercícios.

— Participar é arrumar uma nova motivação na vida. É outro momento que a gente achou que não teria mais — destaca Irene.

Para o técnico Jean Meireles, a comissão técnica ajusta as atividades para equilibrar rendimento e bem-estar.

— A gente precisa cuidar do nosso corpo, da nossa mente. O vôlei é um divertimento hoje para a gente viver a vida — pontua o treinador.

As integrantes do projeto utilizam as redes sociais para incentivar outras mulheres da capital a retomarem a prática esportiva.

— A gente começa a pensar: se eu fiz quando tinha 15 ou 18 anos, por que não posso fazer agora aos 57? Tu que está aí sentada, que jogou vôlei e gosta, vem para cá viver isso com a gente — convida Mara Alves.

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