Três artistas baianas apresentaram suas obras na exposição internacional Arts Sans Frontières 2026, realizada na França, de 16 a 29 de outubro.
Sol Meira exibiu a série fotográfica "A Natureza por um Fio" com 10 obras sobre degradação ambiental. O trabalho nasceu após a observação de um incêndio.
Rose Fernandes retratou os biomas Cerrado e Caatinga. Sua filha, Aila, de 19 anos, mostrou o sertão sob uma nova perspectiva por meio da fotografia.
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Três artistas baianas levaram a produção artística do interior da Bahia para a exposição internacional Arts Sans Frontières 2026, realizada na cidade de Ansouis, no sudeste da França. Por meio de fotografias e pinturas, Sol Meira, Rose Fernandes e Aila Fernandes apresentaram obras inspiradas na fauna, na flora e nas paisagens brasileiras, propondo um olhar que vai além dos estereótipos frequentemente associados ao país.
A mostra coletiva, que ficou exposta até quinta-feira (29) na Salle du Presbytère, reúne pinturas, fotografias e xilogravuras de artistas de diferentes nacionalidades. A iniciativa buscava promover o intercâmbio cultural e estimular o diálogo entre criadores de diversas origens e o público internacional.
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Sol Meira transforma alerta ambiental em arte
Natural de Macaúbas, no sudoeste baiano, Sol Meira é professora de artes e artista plástica com trajetória voltada ao realismo e ao figurativo abstrato. Licenciada em Artes Visuais, ela conta que o interesse pela arte surgiu ainda na infância, por meio dos desenhos, e foi se consolidando ao longo dos anos com estudo e aperfeiçoamento técnico.
Na exposição francesa, Sol apresentou a série fotográfica “A Natureza por um Fio”, composta por 10 obras que refletem sobre os impactos da degradação ambiental. As imagens destacam as gavinhas de plantas do gênero passiflora, popularmente associado ao maracujá.
Segundo a artista, a coleção nasceu a partir da observação de um incêndio. A fumaça criou um contraste que evidenciou os delicados ramos da planta e despertou uma reflexão sobre a fragilidade da natureza diante das queimadas.
"É usar a arte para dar visibilidade a essas questões. A fumaça evidenciou detalhes que normalmente passariam despercebidos. Ao observar aqueles formatos, nós e amarrações, comecei a pensar em como a natureza está cada vez mais ameaçada e, muitas vezes, as pessoas já não percebem isso", disse a artista ao g1.
Para Sol, a arte cumpre uma função que ultrapassa a apreciação estética.
“O principal papel da arte é provocar reflexão, trazer à tona questões ambientais, sociais e políticas. Nesse caso, a discussão é sobre o meio ambiente. As queimadas e os incêndios estão cada vez mais recorrentes, não apenas no Brasil, mas em diversas partes do mundo”.
Rose Fernandes leva a força dos biomas brasileiros para a Europa
Nascida em Urandi, no interior da Bahia, Rose Fernandes possui uma longa trajetória nas artes visuais. Filha de artistas — mãe cantora e pai poeta —, cresceu em um ambiente marcado pela expressão artística e encontrou na pintura uma forma de dar continuidade a esse legado familiar.
Rose trabalha com diferentes técnicas, como óleo sobre tela, acrílico, desenho, crayon, pastel e aquarela, embora tenha se especializado principalmente na pintura em óleo e acrílica.
"Eu cresci vendo minha mãe desenhar e pintar. Naquela época havia poucas oportunidades e poucos materiais, mas existia muita vontade. Foi acompanhando isso que eu me aproximei da arte", relembra.
Aos 13 anos, mudou-se para Guanambi, onde montou seu ateliê. Sua primeira exposição ocorreu durante uma Semana de Arte, experiência que abriu caminho para a participação em mostras e concursos nacionais e internacionais. Ao longo da carreira, recebeu reconhecimentos e medalhas em eventos realizados no Brasil e no exterior, além de expor em países como França, Itália, Alemanha e Portugal.
Para Rose, levar a arte produzida no interior da Bahia para outros países representa a superação de desafios e uma oportunidade de ampliar a visibilidade da produção artística brasileira.
“Quem vive no interior enfrenta muitas dificuldades para participar de eventos internacionais. Tudo envolve investimento e planejamento. Mas é muito gratificante perceber o reconhecimento do público, que passa a enxergar o Brasil também pela sua produção artística, e não apenas pelo futebol ou pelo carnaval”.
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As obras apresentadas na Arts Sans Frontières retratam a diversidade dos biomas brasileiros, com destaque para o Cerrado e a Caatinga, paisagens que fazem parte do cotidiano da artista.
Aila Fernandes apresenta um novo olhar sobre o sertão
Aos 19 anos, Aila Fernandes, filha de Rose, representa a nova geração de artistas baianos presentes na mostra. Nascida em Guanambi, ela cursa Fotografia e teve seu interesse pela arte despertado ainda na infância, influenciada pelo ambiente familiar.
Embora mantenha a pintura como hobby, Aila pretende construir carreira profissional na fotografia. Suas imagens expostas na França buscam apresentar o sertão nordestino sob uma perspectiva diferente daquela frequentemente difundida.
“O objetivo é mostrar o sertão para além da visão limitada que muitas pessoas têm da região”.
A jovem também destaca a importância da arte para o bem-estar emocional e para o desenvolvimento de outros jovens. "A arte faz muito bem para a saúde mental. No meu caso, ela me salvou. Além disso, é muito gratificante receber mensagens de amigos dizendo que se sentem inspirados pelo que produzo", afirma.
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