Período chuvoso começa com obras paradas em BH
Ao menos 5 obras para prevenção de alagamentos e deslizamentos estão paralisadas em Belo Horizonte, em meio a mais um período chuvoso. Entre as intervenções interrompidas estão serviços de drenagem, estabilização de encostas e construção de bacias de detenção de água da chuva.
Um levantamento feito pela TV Globo com base em informações do Portal da Transparência da prefeitura identificou ao menos três obras relacionadas às chuvas paradas na Região Norte da cidade.
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Na Ocupação Vitória, a recuperação de áreas degradadas e a implantação de sistemas de drenagem pluvial foram suspensas por causa de interferências entre essas intervenções e uma obra da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Os serviços, cujo contrato soma R$ 2 milhões com aditivos, foram paralisados com pouco mais de 31% de execução.
O mesmo motivo levou à paralisação do serviço de mitigação de risco geológico e estabilização na Ocupação Esperança. O valor contratual passa de R$ 3 milhões, e 23% da intervenção foi executada.
Já nas vilas Mariquinhas e Boa União, a estabilização de encostas está parada após a realização de apenas 4,5% da obra, orçada em quase R$ 1,5 milhão. Houve um pedido de detalhamento do projeto executivo pelo contratado.
Reservatórios também têm obras paradas
Obras de grandes bacias de detenção de água da chuva também estão paradas há cerca de um ano, após indícios de irregularidades nos contratos. É o caso do Reservatório Vilarinho II e do Reservatório Nado I, ambos na Região de Venda Nova.
O secretário de Obras e Infraestrutura de Belo Horizonte, Leonardo Gomes, afirmou que o município está retomando as duas obras. A continuidade do reservatório da Vilarinho passa por um novo processo de licitação.
"A gente está fazendo os investimentos nas obras que a gente pegou paralisadas, que estavam com problemas contratuais. A gente vai retomar no ano que vem. E, para o futuro, a gente está projetando investimento de mais de R$ 1,5 bilhão para os próximos cinco, seis anos em macrodrenagem, para a gente conseguir mitigar e resolver ao longo do tempo todos os alagamentos que tem em Belo Horizonte", afirmou.
Obras do Reservatório Vilarinho II, na Região de Venda Nova, em BH
TV Globo/ Reprodução
Obra anunciada após oito meses de interdição
Em outra parte da Região Norte, a reclamação é pela demora para o início de uma obra. A Rua Augusta Sacchetto Scalzo, no bairro Jardim Vitória, está interditada desde março. O local, conhecido como Corte de Pedra, tem histórico de deslizamentos.
O fechamento ocorreu depois que uma vistoria identificou elevado risco geológico. O trecho acumula água e entulho, e moradores reclamam dos impactos da interdição.
"O acesso alternativo aqui tem que subir lá para cima, andar uns 2 quilômetros a mais, além de se tornar um local de acúmulo de lixo", afirmou o advogado Célio Antunes.
Oito meses depois da interdição, a prefeitura anunciou uma ordem de serviço para obras emergenciais no local. A estabilização dos paredões e do solo deve custar quase R$ 4 milhões, com previsão de conclusão no primeiro semestre do ano que vem.
Rua Augusta Sacchetto Scalzo, no bairro Jardim Vitória, em BH, está interditada desde março
TV Globo/ Reprodução
O que diz a Prefeitura de Belo Horizonte
Segundo a prefeitura, as obras nas ocupações dependem da conclusão da implantação de redes da Copasa. Já a companhia afirmou que as intervenções estão em andamento e que grande parte dos serviços já foi executada.
"A Companhia ressalta que permanece à disposição da Prefeitura para prestar os esclarecimentos necessários e realizar eventuais intervenções que estejam dentro de sua área de atuação, caso sejam identificadas e formalmente solicitadas", declarou a Copasa.
Sobre as obras nas vilas Mariquinhas e União, a Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel) afirmou que identificou alterações nas condições da encosta, e os projetos precisaram ser revistos. A previsão é de retomada em 2027.
No bairro Jardim Vitória, o trecho interditado é monitorado pela Defesa Civil. Segundo a prefeitura, a possibilidade de agravamento das condições durante o período chuvoso reforçou a necessidade de contratação emergencial das obras.

