O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu de diferentes maneiras à derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, as chamadas midterms, realizadas na terça-feira (3).
Ao longo da apuração e nesta quarta-feira (4), o republicano minimizou o resultado, atribuiu parte das perdas ao fato de seu nome não estar nas urnas e prometeu dificultar a aprovação de projetos apresentados pelos democratas.
MAPA mostra como ficou o Congresso após derrota do partido de Trump
Em entrevistas à imprensa americana, publicações na rede social Truth Social e conversas com jornalistas, Trump também afirmou que estava disposto a trabalhar com o partido adversário.
Nesta quarta, reconheceu que a guerra contra o Irã teve influência no resultado eleitoral, principalmente por causa da alta dos combustíveis, mas defendeu a decisão de iniciar o conflito.
A derrota representa um revés para o presidente porque os Democratas conquistaram o controle das duas Casas do Congresso americano: a Câmara dos Representantes e o Senado.
Com isso, a oposição terá mais poder para fiscalizar o governo e dificultar a aprovação de propostas da Casa Branca nos dois últimos anos do mandato de Trump.
Relembre abaixo, em ordem cronológica, tudo o que o presidente americano falou sobre o resultado das eleições até agora:
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/P/3/FwA83FTrSiOUE2BL4HSQ/261104-grafico-como-trump-reagiu-a-vitoria-dos-democratas-nas-midterms.jpg)
3 de novembro: antes do fim da votação, Trump ameaça vetar projetos dos democratas
Ainda na terça-feira (3), às 21h (horário de Brasília), antes do encerramento da votação nos Estados Unidos, Trump concedeu uma entrevista por telefone à emissora CBS News. Questionado sobre a possibilidade de os democratas conquistarem o controle do Congresso, o presidente afirmou que estava preparado para usar seu poder de veto contra propostas do partido adversário.
"Eu tenho o poder supremo — chama-se veto", afirmou.
Trump também disse que aceitava ser chamado de "Sr. Veto" e explicou que pretendia barrar projetos dos democratas caso eles conquistassem a maioria na Câmara ou no Senado.
O republicano demonstrou confiança de que conseguiria avançar com sua agenda independentemente do resultado eleitoral. Ele também citou uma decisão recente da Suprema Corte americana, que, segundo ele, ampliou os poderes do presidente para tomar decisões dentro do governo federal mesmo diante de eventuais resistências do Congresso.
Na entrevista, Trump argumentou que o uso repetido do veto poderia levar os democratas a negociar com a Casa Branca.
O presidente alegou que, depois de alguns meses tendo suas propostas barradas, os adversários acabariam procurando o governo para chegar a um acordo.
3 de novembro: durante a apuração, Trump critica a cobertura da Fox News
À medida que os resultados começaram a aparecer, Trump passou a publicar mensagens na Truth Social, sua própria rede social.
Durante a noite de terça-feira, enquanto se preparava para acompanhar a apuração com integrantes do governo na Casa Branca, o presidente criticou a cobertura da emissora Fox News.
Em uma das publicações, chamou um comentarista da emissora de "burro como uma pedra" e afirmou que mudaria de canal até que ele saísse do ar. Pouco depois, voltou a criticar a cobertura eleitoral da emissora, reclamando das perguntas feitas em pesquisas e atribuindo a queda de audiência ao espaço dado aos democratas.
As críticas ocorreram enquanto os primeiros resultados apontavam dificuldades para os candidatos republicanos.
4 de novembro: Trump diz que venceria 'por uma lavada' se estivesse nas urnas
Nas primeiras horas de quarta-feira (4), depois de os resultados já apontarem uma derrota expressiva dos republicanos, Trump voltou a comentar o desempenho do partido na Truth Social.
Em uma publicação feita à 0h37, no horário indicado pela postagem, o presidente afirmou que, se seu nome estivesse nas cédulas, os republicanos teriam vencido com ampla vantagem.
"Eu não estava na cédula e, se estivesse, teríamos vencido POR UMA LAVADA!", escreveu.
4 de novembro: Trump diz ao 'New York Times' que aceitará o resultado
Pouco antes das 0h30 de quarta-feira (4), enquanto acompanhava os resultados eleitorais na Casa Branca, Trump concedeu uma entrevista por telefone ao jornal The New York Times.
Naquele momento, as projeções já indicavam que os democratas estavam a caminho de conquistar o controle da Câmara e do Senado.
Questionado sobre o resultado, o presidente afirmou que estava disposto a aceitá-lo e que pretendia trabalhar com os democratas.
"Vamos, vocês sabem, esperar trabalhar com eles. Provavelmente chegaremos a algum acordo", declarou.
Apesar disso, Trump atribuiu a derrota republicana ao fato de seu nome não estar nas cédulas eleitorais. Segundo ele, a ausência de sua candidatura teria reduzido a participação de eleitores republicanos.
"Eu não estava na cédula e, por não estar na cédula, não conseguimos mobilizar pessoas suficientes para votar", afirmou.
Durante a conversa, o presidente também comentou a derrota de candidatos que havia apoiado. Ao acompanhar os resultados em tempo real, demonstrou surpresa com a derrota de Darline Graham, candidata republicana ao Senado pela Carolina do Sul, e questionou como teria sido o desempenho do senador Lindsey Graham, que morreu em julho.
Trump disse acreditar que Lindsey provavelmente teria vencido a disputa.
O republicano também afirmou que não se arrependia de suas decisões nos dois primeiros anos do segundo mandato. Chegou a classificar o período como o mais bem-sucedido da história de qualquer presidente americano.
Sobre a guerra contra o Irã, Trump voltou a defender a decisão de iniciar o conflito e disse que faria tudo novamente. Ao mesmo tempo, reconheceu que o aumento dos preços do petróleo e dos combustíveis poderia ter desagradado os eleitores.
Ele também afirmou que democratas já haviam procurado seu governo para conversar sobre possíveis acordos e citou o teto da dívida como um dos assuntos em que poderia haver cooperação.
Apesar da disposição para negociar, voltou a lembrar que tem poder de veto sobre projetos aprovados pelo Congresso.
4 de novembro: Trump culpa governador do Texas e diz que será comentarista político
Às 1h35, Trump publicou uma mensagem na Truth Social criticando o governador do Texas, Greg Abbott, também republicano.
O presidente afirmou que Abbott perdeu porque teria abandonado sua posição política original nos últimos seis meses de sua carreira. Na publicação, usou a sigla RINO, expressão em inglês utilizada por conservadores para se referir a republicanos considerados insuficientemente alinhados às posições do partido.
Às 1h38, o presidente voltou à rede social e disse que pretendia se transformar em uma espécie de comentarista político para analisar os motivos das vitórias e derrotas dos candidatos.
"Vou me tornar um comentarista político, tanto sobre os bons quanto sobre os maus motivos pelos quais esses candidatos venceram e perderam", escreveu.
4 de novembro: Trump responsabiliza a Fox News pelas derrotas
Às 1h52, Trump voltou a atacar a Fox News em outra publicação na Truth Social.
Desta vez, criticou a participação do ex-prefeito de Nova York Bill de Blasio na programação da emissora. O presidente chamou o Democrata de pior prefeito da história da cidade e afirmou que a emissora tinha responsabilidade pelas derrotas republicanas por dar espaço frequente à oposição.
A publicação reforçou as críticas que Trump já havia feito à cobertura da emissora durante a noite de votação.
4 de novembro: Trump diz ao 'Wall Street Journal' que faria tudo novamente
Às 2h de quarta-feira (4), Trump voltou a falar sobre o resultado eleitoral em entrevista ao jornal The Wall Street Journal.
O presidente reconheceu que o conflito com o Irã foi um dos fatores que contribuíram para a derrota republicana. Ele também afirmou que não se arrepende da decisão de iniciar os ataques.
"Eu fiz a coisa certa. Eu faria de novo", disse ao jornal.
A declaração ocorreu depois de os democratas conquistarem o controle das duas Casas do Congresso, em uma derrota expressiva para o partido do presidente.
A guerra, iniciada pelos Estados Unidos e por Israel em fevereiro, provocou aumento nos preços dos combustíveis e de outros produtos. Durante a campanha, candidatos democratas responsabilizaram o conflito pela alta do custo de vida.
4 de novembro: em entrevista à Fox News, Trump diz que guerra contra o Irã pesou no resultado
A partir das 17h desta quarta-feira (4), Trump também concedeu uma entrevista à emissora Fox News, criticada por ele diversas vezes ao longo dos dois dias, na qual reconheceu, novamente, que a guerra contra o Irã teve influência no desempenho dos republicanos.
O presidente afirmou que sabia que o conflito poderia prejudicar eleitoralmente seu partido, mas voltou a defender a decisão de atacar o país.
"Eu sabia que a guerra teria impacto, mas, independentemente de ter impactado ou não, o Irã não pode ter uma arma nuclear", declarou.
Trump também comentou uma manifestação feita pelo vice-presidente J.D. Vance nas redes sociais. Vance havia atribuído a derrota republicana à guerra e questionado se o custo político do conflito havia valido a pena.
O presidente disse compreender a posição do vice e afirmou que a operação militar havia impedido o Irã de desenvolver uma arma nuclear.
Em outra entrevista à Fox News, Trump também foi questionado sobre a possibilidade de novas ações militares contra o Irã. Ele afirmou que poderia "terminar o trabalho muito facilmente" caso o país não aceitasse um acordo que o impedisse de obter uma arma nuclear.
4 de novembro: em conversa com jornalistas, Trump diz que se dará bem com democratas, mas ameaça usar veto
Uma hora depois, por volta das 18h, em sua primeira aparição pública depois da derrota republicana, Trump voltou a falar sobre as eleições durante uma conversa com jornalistas na Casa Branca.
O presidente estava no canteiro de obras do salão de baile que encomendou para a sede do governo americano. A ocasião marcou a instalação da última viga de aço da construção, assinada pelos trabalhadores da obra.
Questionado sobre a derrota de seu partido, Trump concordou que a guerra contra o Irã teve influência importante no resultado. Segundo ele, o conflito elevou os preços da gasolina no curto prazo e parte dos eleitores provavelmente não estava disposta a arcar com esse custo.
Apesar disso, afirmou que, se tivesse de tomar a decisão novamente, faria os ataques outra vez. Para justificar a operação, voltou a dizer que não se pode permitir que o Irã desenvolva uma arma nuclear.
Trump também afirmou que provavelmente conseguirá trabalhar com os Democratas, mas ressaltou que tem poder de veto sobre as propostas que chegarem à sua mesa.
"Provavelmente vou me dar bem com os democratas, a menos que queiram ser destrutivos. Mas nós temos poder de veto", declarou.
O presidente disse ainda que integrantes do partido adversário já haviam entrado em contato para conversar sobre possíveis acordos.
Na mesma conversa, voltou a afirmar que teria vencido as eleições caso seu nome estivesse nas cédulas. Segundo ele, o entusiasmo demonstrado pelo público em seus comícios não foi transferido para os candidatos republicanos.
Trump também foi questionado sobre a possibilidade de sofrer um processo de impeachment, mecanismo pelo qual o Congresso pode iniciar um processo para afastar o presidente. Ele afirmou que uma tentativa dos democratas nesse sentido destruiria o próprio Partido Democrata.
4 de novembro: Trump diz à CNBC que pode trabalhar com democratas em mais assuntos
Mais tarde, às 18h30, Trump concedeu uma entrevista à emissora CNBC e voltou a falar sobre a possibilidade de cooperação com os Democratas.
O presidente afirmou que poderia trabalhar com o partido adversário em mais assuntos do que as pessoas imaginam. A declaração foi divulgada pela emissora sob o título de que Trump poderia colaborar com os democratas em "muitas mais coisas do que as pessoas entendem".
* Com informações da Reuters.



