A passarela foi erguida com uma técnica de fundação que fixa os pilares diretamente na rocha do leito do rio, contando com monitoramento periódico capaz de detectar deslocamentos milimétricos.
A estrutura atual foi construída em 1992, após a passarela anterior ser levada pela correnteza nos anos 1980, exigindo o desvio temporário do Rio Iguaçu durante as obras.
A reabertura da passarela após cheias só é autorizada quando a vazão do rio cai para menos de 8 milhões de litros por segundo, mediante vistoria técnica e recolocação das grades de proteção.
Para construir a passarela das Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, foi necessário desviar temporariamente o Rio Iguaçu e deixar parte do leito seco. A obra, iniciada em 1992, enfrentou enchentes que arrastaram equipamentos e deu origem à estrutura que, em 2014, conseguiu resistir a uma vazão de 46 milhões de litros de água por segundo.
A passarela atual foi construída em 1992, depois que a estrutura anterior, inaugurada em 1970, foi levada pela correnteza durante uma cheia na década de 1980.
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O desafio da nova construção era garantir que a passarela resistisse à força do rio, mesmo quando a água ultrapassasse a altura do caminho utilizado pelos turistas.
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Para isso, os engenheiros utilizaram uma técnica de fundação que permite fixar os pilares diretamente na rocha do leito do rio.
Mas, antes de instalar as fundações, foi necessário encontrar uma forma de trabalhar em um dos trechos de maior correnteza das Cataratas.
Segundo Márcio Marcon, engenheiro que participou da execução do projeto, a primeira tentativa foi desviar o rio em um ponto próximo às quedas.
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A estratégia, no entanto, não resistiu a uma enchente. A força da água arrastou parte da estrutura utilizada para conter a correnteza e equipamentos dos trabalhadores.
"Durante a execução da obra, foram pelo menos duas enchentes similares a essa. Em uma delas, a gente perdeu equipamentos, obviamente nunca mais encontramos. Mas a parte de concreto ficou absolutamente intacta", afirmou Marcon.
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Depois do incidente, as equipes mudaram a estratégia e fizeram um novo desvio, desta vez a alguns quilômetros das Cataratas.
Com a água afastada do local da obra, os trabalhadores conseguiram perfurar a rocha e instalar as fundações que sustentam a passarela.
Segundo Marcon, a construção envolveu equipes que variavam entre 20 e 30 trabalhadores.
Como a passarela foi fixada na rocha?
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A resistência da estrutura está principalmente nas fundações, feitas com uma técnica conhecida como estaca-raiz.
Nesse sistema, os trabalhadores perfuram a rocha e instalam estruturas de aço dentro dos buracos. Depois, uma mistura de cimento é injetada sob pressão, formando uma ligação resistente entre as fundações e a rocha.
O processo permite que os pilares fiquem firmemente presos ao leito do rio, em vez de apenas apoiados sobre a superfície.
Vinicius Lorenzi, diretor de engenharia da Fungeo, empresa responsável pela execução das fundações, explica que a técnica foi escolhida pela capacidade de suportar grandes forças.
"A estaca-raiz é uma estaca que faz embutimento na rocha e isso faz com que ela absorva grandes esforços. É um tipo de fundação que nós utilizamos em várias outras obras em Foz do Iguaçu", explicou Lorenzi.
Segundo o engenheiro, a estrutura precisa suportar não apenas o peso da passarela e dos turistas, mas também a pressão da correnteza, que aumenta durante as cheias.
Troncos, galhos e outros materiais carregados pela água também podem atingir a passarela. No entanto, segundo Lorenzi, a força exercida pelo próprio fluxo do rio representa um esforço maior para as fundações.
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Como a segurança da passarela é monitorada após as cheias
A resistência da passarela é monitorada periodicamente por meio de inspeções e equipamentos capazes de identificar movimentações de poucos milímetros na estrutura.
Segundo a Urbia+Cataratas, concessionária responsável pela visitação turística do Parque Nacional do Iguaçu, o monitoramento não identificou deslocamentos nos pilares desde que a empresa passou a realizar as medições.
André Franzini, gerente de sustentabilidade da concessionária, explica que pequenos equipamentos chamados prismas são instalados em pontos estratégicos da passarela. Eles permitem que uma estação de medição topográfica identifique possíveis mudanças na posição dos pilares, mesmo que sejam imperceptíveis a olho nu.
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O procedimento compara a posição atual dos pilares com medições anteriores. Dessa forma, é possível verificar se a força da correnteza provocou algum deslocamento durante as cheias.
"Desde que a gente assumiu, que a gente começou a fazer esse monitoramento, nunca teve nenhuma alteração, nem que seja milimetricamente", afirmou Franzini.
Segundo ele, as avaliações são realizadas anualmente, mas podem ocorrer com maior frequência caso seja identificada alguma alteração ou depois de episódios de cheia.
Além desse acompanhamento, a reabertura da passarela após uma cheia depende de uma vistoria feita por um engenheiro estrutural, que verifica as condições dos pilares e de outros componentes.
O profissional analisa se houve danos, identifica possíveis riscos e emite um laudo técnico sobre as condições da estrutura.
A concessionária informou que a passarela só volta a receber visitantes quando a vazão fica abaixo de 8 milhões de litros por segundo e a avaliação técnica confirma que o acesso é seguro.
Antes disso, as equipes também precisam recolocar as grades metálicas de proteção, retiradas preventivamente durante as cheias. A instalação é feita gradualmente, com os profissionais trabalhando em trechos restritos da passarela.
Franzini explica que a concessionária também acompanha as condições da bacia do Rio Iguaçu e dos reservatórios das hidrelétricas antes de iniciar a reabertura, para reduzir o risco de uma nova elevação da vazão.
Caso as inspeções identifiquem algum problema, a frequência das avaliações pode ser ampliada e a estrutura permanece sob acompanhamento técnico.

