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Eleição presidencial de 2026 é a com mais chapas puro-sangue desde a redemocratização

08/08/2026

Eleição presidencial de 2026 é a com mais chapas puro-sangue desde a redemocratização

Doze das 13 candidaturas à Presidência em 2026 terão presidente e vice do mesmo partido.

Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) formam a única chapa com coligação partidária este ano. Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) e demais candidatos têm vices de outros partidos.

Antes de 2026, a maior marca de chapas puro-sangue registrada até então ocorreu em 2014: 10 das 11 candidaturas registradas à época eram formadas por dois integrantes de mesma sigla.

Especialistas ouvidos pelo g1 explicam que entre os fatores estão a prioridade dada pelos partidos às eleições para o Congresso, a neutralidade de grandes partidos e a fragmentação das candidaturas de direita.

A eleição presidencial de 2026 terá a maior proporção de chapas puro-sangue, que são aquelas formadas por presidente e vice do mesmo partido, desde a redemocratização.

Das 13 candidaturas confirmadas nas convenções partidárias deste ano, 12 terão os dois integrantes filiados à mesma sigla, o equivalente a 92% do total, o maior percentual desde a eleição em 1989.

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Neste ano, a única chapa formada por partidos diferentes é a de Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSB). O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Veja no infográfico abaixo:

Na primeira eleição disputada após a ditadura militar, 19 das 22 chapas (83%) eram formadas por um candidato a presidente e outro a vice filiados ao mesmo partido.

Antes de 2026, a maior marca de chapas puro-sangue registrada até então ocorreu em 2014: 10 das 11 candidaturas registradas à época eram formadas por dois integrantes de mesma sigla. A única chapa com coligação partidária naquele ano era a de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB).

O menor número de chapas com candidatos a presidente e vice do mesmo partido ocorreu na disputa presidencial de 2002, época em que metade dos seis concorrentes optou por ter um vice do mesmo partido e, a outra metade, por formar alianças.

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Dificuldade de aliança e siglas isoladas

Cientistas políticos consultados pelo g1 consideram que uma série de fatores contribui para que a eleição de 2026 tenha o maior número de chapas próprias desde a redemocratização.

Entre eles estão a estratégia dos partidos de priorizar a formação de bancadas fortes na Câmara dos Deputados, a decisão de parte das siglas de manter neutralidade na disputa presidencial e a falta de unidade no campo da direita, ao contrário do que ocorreu entre PT e aliados.

Professor titular aposentado do Departamento de Ciência Política da UFMG, Carlos Ranulfo, cita o caso de opção pela neutralidade adotada pela maioria dos diretórios de PP, Republicanos, MDB, União Brasil e do próprio PSD, que possui candidatura própria à Presidência.

"Hoje, cada partido prefere eleger bancadas grandes na Câmara. E aí essas coisas se juntam: uma certa pouca fé no candidato e o fato de que, se você ficar livre para escolher entre Bolsonaro ou Lula em cada estado, você pode maximizar a chance de fazer boas bancadas", analisa o doutor.

Há, também, uma diferença em como se comportaram os campos da direita e da esquerda, em que o PT e aliados não se fragmentaram, enquanto a direita não chegou a um entendimento.

"Tentativas do Caiado e do Zema, conversaram, trocaram beijinhos, mas não chegaram a nada", afirma Ranulfo. "Então, se você tem quatro candidaturas à direita, já começa a ficar difícil fazer coligações", diz.

A decisão de um partido não se aliar a um presidenciável inclui o financiamento das campanhas, como detalha Claudio Couto, cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

"Afinal de contas, se você gasta dinheiro na campanha majoritária, vai sobrar menos dinheiro para as campanhas proporcionais [ao Congresso Nacional]", diz. "Se o partido apenas coloca dinheiro nas campanhas nos estados, ele tem mais dinheiro para as campanhas proporcionais."

Além da menor quantidade de dinheiro a sair dos cofres dos partidos para uma disputa nacional, também existe a chance maior de formar chapas fortes em cada estado com um ou outro presidenciável e estar em uma boa composição em futuros governos eleitos.

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