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Filha corta 25 cm de cabelo e faz boné com peruca para presentear mãe com câncer no interior de SP

07/11/2026

Filha corta 25 cm de cabelo e faz boné com peruca para presentear mãe com câncer no interior de SP

Uma moradora de Tatuí (SP) cortou 25 centímetros de seu cabelo para confeccionar um boné que imita peruca e doar à mãe, que trata um câncer de mama.

Arely Regina dos Santos, de 33 anos, entregou o presente para Regina Cavalheiro, de 53 anos. O momento da entrega foi gravado pela cabeleireira responsável pelo projeto.

A cabeleireira Cilene Inoki criou a iniciativa após ser diagnosticada com a doença em 2024. Ela e a irmã costureira produzem os bonés para ajudar pacientes.

O projeto aceita doações de cabelos e atende pedidos de diversas regiões. Cilene segue em acompanhamento médico na Unesp de Botucatu enquanto gerencia as entregas.

O diagnóstico de câncer de mama de uma moradora de Tatuí (SP) fez a filha dela tomar uma decisão que nunca havia imaginado: cortar cerca de 25 centímetros do próprio cabelo para doar a mãe.

O comprimento retirado foi usado na confecção de um boné com cabelo, que imita uma peruca e permite que mulheres que enfrentam a queda dos fios durante a quimioterapia mantenham a aparência de cabelos naturais.

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A mãe, Regina Cavalheiro, de 53 anos, está em tratamento contra o câncer de mama. Ela já passou por três sessões de quimioterapia, e os cabelos começaram a cair em decorrência do tratamento.

Arely Regina dos Santos, de 33 anos, é um dos cinco filhos de Regina. Ao g1, ela contou que a ideia de doar os fios surgiu assim que a família recebeu o diagnóstico. Ela já havia visto vídeos de familiares que raspavam ou cortavam os cabelos para acompanhar pessoas queridas durante o tratamento oncológico e sempre se emocionava com os gestos.

"Quando tivemos o diagnóstico da nossa mãe, foi a primeira coisa que me veio à cabeça. Vou cuidar do meu cabelo, porque, se ela perder os cabelinhos dela, eu vou doar o meu para ela", contou.

A filha procurou a cabeleireira Cilene Inoki, de 49 anos, responsável pelo projeto que confecciona os bonés, e perguntou se seria possível aproveitar os fios. Depois, foi a uma profissional para cortar o cabelo e levou o material até Cilene.

A entrega do "boné peruca" foi gravada pela cabeleireira, que se emocionou com a reação de mãe e filha. Nas imagens, Arely aparece segurando a peça cor-de-rosa, com os fios de cabelo costurados. Ao ver o presente, Regina chora e é acolhida por Cilene, que a incentiva: "Pode chorar, é bom chorar de alegria". Assista acima.

Arely conta que sempre teve cabelos compridos e que esta foi a primeira vez que ficou com os fios tão curtos. A mudança, no entanto, não foi motivo de arrependimento.

"Eu nunca tive cabelo curto minha vida toda, foi a primeira vez. Mas eu faria novamente. Porque ver a felicidade e a emoção da minha mãe não tem valor no mundo que pague", disse.

Ela já havia doado 40 centímetros de cabelo ao Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer de Mama (Gpaci), de Sorocaba (SP), há quatro anos. Na ocasião, porém, os fios continuaram compridos. Desta vez, o corte deixou o cabelo bem mais curto.

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Segundo Arely, ela sempre avisou à mãe que pretendia doar os fios, mas Regina não acreditava que a filha realmente fosse mudar tanto o visual. A surpresa aconteceu quando a filha foi buscá-la para uma consulta médica e apareceu com o cabelo cortado.

Regina ainda não precisou raspar a cabeça, mas os fios estão bastante ralos. A filha destaca que a perda de cabelo afeta a autoestima de muitas mulheres durante o tratamento e que o presente foi uma forma de oferecer carinho e apoio nesse momento.

A paciente, que trabalha como cuidadora de idosos, está afastada das atividades profissionais durante o tratamento. Segundo Arely, apesar dos desafios, a mãe continua vaidosa.

"Minha mãe tem a autoestima muito boa, graças a Deus. Ela não vê a hora de passar por todo esse processo de quimioterapia e radioterapia para poder retornar ao trabalho e suas rotinas", afirma.

Além de doar o cabelo para a confecção do boné, Arely acompanha a mãe de perto durante o tratamento e dá suporte nas sessões de quimioterapia: "Eu vou com ela nas sessões. Acompanho em tudo o que precisa. Sou eu quem resolvo."

Projeto surgiu da experiência da cabelereira

A iniciativa que tornou possível a confecção do "boné-peruca" surgiu de uma experiência pessoal que a cabeleireira Cilene viveu. Em 2024, ela foi diagnosticada com câncer de mama. Durante o tratamento, teve a ideia de criar uma alternativa para não ficar sem cabelo.

Na época, ela trabalhava em um salão de beleza e tinha extensões de cabelo disponíveis. Pediu para a irmã, Edilene Carriel Moraes, que é costureira, que confeccionasse um boné ao qual pudesse prender os fios. O primeiro modelo foi feito para a própria Cilene.

"Usei o boné o tempo todo. Eu não parei de trabalhar, fazia a quimio um dia e, no outro, vinha trabalhar no salão. Então, fiquei com a cabeça muito boa pelo boné", relatou.

Cilene terminou o tratamento em agosto de 2025 e, no mês seguinte, decidiu transformar a experiência em um projeto para ajudar outras mulheres que passam pela mesma situação. A iniciativa é desenvolvida por ela e pela irmã, que divide o trabalho de confecção.

Além de atuar como cabeleireira, Cilene aprendeu a costurar os cabelos para conseguir atender à demanda. A irmã fica responsável pela parte de costura dos bonés, enquanto as duas trabalham na preparação das peças.

"Quando começou a ter muito pedido de boné, além de ser cabeleireira, eu tive que aprender a costurar os cabelos também. Então eu faço a confecção dos cabelos também", explica.

Doação dos bonés

O projeto recebe doações de cabelos, bonés e materiais utilizados na produção, como velcros adesivos. Também atende mulheres que desejam utilizar os próprios fios ou os cabelos doados por familiares.

Em alguns casos, as pacientes procuram Cilene antes mesmo de começar a quimioterapia. Nesses atendimentos, o cabelo da própria mulher é cortado e aproveitado para a confecção da peça.

"Tem muitas pacientes que descobrem que estão com a doença, e vem até mim antes do cabelo cair. A gente corta o próprio cabelo da paciente e assim que elas começarem a quimioterapia e o cabelo for caindo, elas já pegam e já colocam o boné."

Foi o que aconteceu com Regina. A filha procurou a cabeleireira, que aproveitou os cerca de 25 centímetros de cabelo doados por Arely para produzir a peça destinada à mãe.

Inicialmente, o projeto atendia somente mulheres da região de Tatuí. No entanto, a divulgação foi crescendo e procura passou a alcançar diferentes partes do país.

Com o crescimento da demanda, Cilene passou a perguntar às pessoas que solicitam as peças se podem ajudar com o valor do envio. Quem tem condições contribui com o frete, mas quem não pode pagar também recebe o boné.

"Quem pode paga, quem não pode não fica sem o boné. Eu mando do mesmo jeito, dou um jeito e mando", explicou.

A cabeleireira também continua em acompanhamento médico e faz terapia hormonal, com previsão de mais quatro anos de tratamento, na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP).

Ao olhar para o caminho percorrido desde a confecção do primeiro boné, feito para si mesma, Cilene diz que encontrou uma maneira de transformar a própria experiência com o câncer em ajuda para outras mulheres.

"Resolvi transformar minha dor em amor ao próximo", resume.

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