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Fim da escala 6x1: hotel em Ribeirão Preto relata vantagens ao antecipar modelo com 2 dias de folga por semana

19/10/2026

Fim da escala 6x1: hotel em Ribeirão Preto relata vantagens ao antecipar modelo com 2 dias de folga por semana

Um hotel em Ribeirão Preto (SP) adotou a escala 5x2 antes da aprovação no Senado da PEC que extingue a jornada 6x1.

Aprovada pelo Senado, a PEC estabelece a jornada 5x2 sem redução de salário e reduz a carga horária semanal de 44 para 40 horas.

A transição no hotel começou em dezembro e foi para todos os setores em 1º de janeiro, aumentando o número de funcionários.

A empresa aponta que o modelo aumentou a retenção de talentos, reduziu faltas e melhorou o bem-estar dos funcionários.

Desde o início do ano, a rotina da camareira Edinalva Bernardo, de Ribeirão Preto (SP), mudou quando ela passou a ter dois dias de folga por semana. Com isso, ela conta que não só conseguiu mais tempo para descansar e estar com a família, como para organizar a casa e ir ao médico.

“Ficou melhor agora. No segundo dia a gente procura descansar, passear, curtir os netos, marido”, afirma.

Edinalva trabalha em um hotel na Zona Sul de Ribeirão Preto que adotou a escala 5x2 para todos os departamentos em janeiro, meses antes de o tema ser aprovado no Senado.

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Apesar dos desafios financeiros e operacionais citados por entidades que representam o setor produtivo, a empresa garante que conseguiu se planejar para arcar com os custos da mudança, devido à contratação de mais funcionários, e que não houve perda de produtividade.

"Nós não tivemos impacto operacional. Nós tivemos um estudo antes de começar, tanto financeiro quanto de pessoas, e nós conseguimos suprir tudo isso para que a gente chegasse ao que é ideal", diz Jéssica Maximiano, gestora de pessoas.

O Senado aprovou esta semana a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1. A medida estabelece a jornada 5x2 com dois dias de repouso semanal remunerado sem redução salarial e prevê a diminuição gradual da carga horária semanal de 44 para 40 horas.

Para entrar em vigor, a alteração precisa ser promulgada pela Mesa do Congresso Nacional e publicada no Diário Oficial. O início das novas regras será dividido em etapas.

Na primeira, 60 dias após a promulgação, a jornada cai para 42 horas e já passa a valer o direito a duas folgas. Na segunda, após mais 12 meses, a jornada chega a 40 horas. A aplicação também depende de regulamentações e negociações entre sindicatos e categorias.

Associações que representam comércio e serviços criticam a votação acelerada da PEC e apontam impactos negativos para as empresas, principalmente para as de pequeno porte, bem como riscos de repasses de custos aos consumidores.

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Hotel com mais dias de folga

A transição para a escala 5x2 no hotel em que Jéssica trabalha começou em dezembro do ano passado, com a equipe de governança, e foi estendida a todos os departamentos em 1º de janeiro deste ano.

A decisão partiu de um planejamento que buscou priorizar a qualidade de vida dos colaboradores. Para colocar a mudança em prática sem prejudicar o atendimento aos hóspedes, a administração realizou estudos financeiros e operacionais.

Assim, a empresa afirma que conseguiu aumentar o quadro de funcionários para cobrir os turnos de folga.

“A gente já sabia que era inevitável, já vinham os estudos do próprio governo de implantar, então a gente já saiu na frente. O funcionário mais satisfeito reduz a exaustão, trabalha com mais saúde e trabalha mais feliz”, afirma a gestora de pessoas.

Jéssica destaca que o aumento na retenção de talentos e a melhoria no clima organizacional compensaram o esforço de reestruturação.

“O hotel começou a funcionar em escala 5x2 a partir de 1º de janeiro deste ano e nós conseguimos fechar as vagas em aberto com mais rapidez.”

Com a aprovação da PEC que reduz o teto semanal para 40 horas, o estabelecimento já iniciou o planejamento com a assessoria jurídica para adaptar os horários das equipes na nova etapa.

“O estudo já começou a ser feito junto com o nosso jurídico, para que a gente veja como a gente vai reduzir as primeiras duas horas e como a gente vai reduzir no total as quatro horas.”

Qualidade de vida e saúde

Para a analista de RH Tayara Beraldo, a folga extra permite resolver pendências burocráticas e dedicar tempo ao autocuidado e aos estudos, reduzindo taxas de esgotamento e rotatividade nas empresas.

“Acredito que ter essa folga a mais aí para as pessoas não é só sobre dinheiro, é sobre ter uma qualidade de vida para resolver alguma coisa num dia que ela precisa”, afirma.

A especialista ressalta que o tempo para cuidar de si e da família se reflete na diminuição de faltas e no bem-estar dos colaboradores.

“Dá para a gente fazer um monte de coisa, e às vezes até ir s algum médico que você deixou por muito tempo e acaba não deixando de se cuidar”, diz.

Na rotina do hotel, a camareira Edinalva Bernardo aprova a mudança na legislação e relata que o tempo ganho se traduz em motivação e disposição no trabalho.

“Motivação de vida mesmo. Que a gente tenha mais o tempo para ficar com a família, se divertir, porque precisamos, voltamos a trabalhar mais contentes, mais descansados”, afirma.

Fim da escala 6x1

Com a aprovação da PEC, a primeira fase entra em vigor 60 dias após a promulgação, reduzindo o limite para 42 horas semanais com a garantia de dois dias de descanso.

A segunda fase ocorre 12 meses depois da primeira, fixando o teto definitivo em 40 horas semanais.

A distribuição exata das folgas e a forma como serão organizadas nas escalas dependem de regulamentação ou de acordos coletivos entre categorias.

O advogado explica que a transição em duas etapas foi aprovada justamente para permitir a adequação dos empregadores ao novo limite semanal.

“O que precisa ser definido ainda por regulamentação é como serão concedidas as folgas. A legislação ou a Constituição aqui, ela fala em uma das folgas preferencialmente ao domingo. Mas haverá necessidade de regulamentação ou negociação coletiva para que essas folgas possam ser concedidas”, diz Marcelo Braghini, advogado trabalhista.

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