O Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, em Vitória, usa há cerca de 4 meses o gavião Shiluba para espantar pombos de suas áreas externas.
A medida preventiva foi adotada após um censo registrar cerca de 60 pombos no local. A presença das aves preocupa por expor pacientes vulneráveis a doenças.
Shiluba é um gavião de 6 anos que também atua no Aeroporto de Vitória. O serviço reduziu a presença de pombos e passou a ser quinzenal.
Para voar com eficiência, a ave tem peso controlado de cerca de 500 gramas. A equipe calcula sua alimentação diariamente com base no gasto de energia previsto.
A ação integra uma estratégia de controle ambiental. A recomendação principal para pacientes, funcionários e visitantes é não alimentar os pombos.
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Há cerca de quatro meses, o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), em Vitória, passou a contar com o trabalho de um novo "funcionário". Shiluba, um gavião macho da espécie asa-de-telha (Parabuteo unicinctus), sobrevoa áreas externas da unidade para espantar pombos que encontram abrigo nos telhados, beirais e outras estruturas do hospital.
O projeto foi motivado depois que a administração do hospital percebeu o aumento da população de pombos na área da unidade, que fica no bairro Maruípe. Um censo da população na área apontou a presença de cerca de 60 pombos no entorno do hospital.
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A presença de pombos em áreas próximas a hospitais preocupa, já que as fezes das aves podem favorecer a exposição a fungos, bactérias e parasitas, além de provocar danos a estruturas e sistemas de ventilação e ar-condicionado, expondo uma população que já está vulnerável.
Apesar dos riscos, o hospital não registrou casos de doenças transmitidas por pombos na unidade. A iniciativa tem caráter preventivo e busca reduzir a presença das aves antes que ela se torne um problema.
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A unidade vinha adotando medidas convencionais como fechar pontos de entrada e promover ações de conscientização, mas elas não foram suficientes para resolver a situação.
"A estrutura do Hucam é um dos fatores que favorecem a presença dos pombos. Os prédios estão distribuídos horizontalmente, por uma área com desníveis e oferecem diversos pontos de abrigo, como telhados, beirais e janelas. A unidade já havia tentado fechar pontos de entrada, o uso de repelentes e promover ações de conscientização da comunidade, mas nada havia sido tão efetivo", explicou o biólogo David Salles, responsável pelo controle ambiental do Hucam.
Como o trabalho funciona
O trabalho que começou a ser feito com o gavião é realizado por uma empresa especializada em falcoaria, técnica que utiliza aves de rapina treinadas para afastar outras espécies.
Shiluba é um macho de 6 anos que também atua no Aeroporto de Vitória realizando o mesmo serviço, só que neste caso, faz as rondas com outras três aves.
Além do senso para estimar o número de pombos no local, o trabalho no hospital começou com um mapeamento da área e a definição de rotas de voo.
De acordo com Gabriel Furtado, médico-veterinário e coordenador do projeto de falcoaria no Hucam, a estratégia se baseia na relação natural entre predador e presa.
"É uma relação presa e predador mesmo. A espécie é um predador natural de pombos, o próprio animal entende aquilo como uma ameaça", explica.
As rondas são realizadas preferencialmente no início da manhã, quando os pombos começam a sair dos abrigos para procurar alimento e estão menos ativos. Nesse horário, a circulação de pessoas no hospital também costuma ser menor. Dependendo da necessidade, o trabalho pode ocorrer à tarde.
O trabalho começou semanalmente e agora já passou a ser quinzenal. Segundo David, a diminuição da população de pombos já pode ser percebida.
"Já deu pra perceber que a quantidade diminuiu, foi mais rápido do que esperávamos. Agora, um novo censo está em andamento para reavaliar o tamanho dessa população e ajudar a definir a frequência das ações", disse o servidor do hospital.
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Peso controlado e rotina de atleta
Para que Shiluba consiga voar com eficiência e responda aos estímulos durante o trabalho, a preparação exige treinamento, alimentação controlada e acompanhamento diário.
O peso ideal de voo dessa ave gavião é de aproximadamente 500 gramas. Antes das atividades, Shiluba é pesado pela equipe, que calcula a quantidade de alimento necessária com base no gasto de energia previsto para a rotina.
O controle é importante porque o peso interfere diretamente no desempenho do animal. Se estiver muito leve, o gavião pode ter dificuldade para controlar o voo. Se estiver pesado demais, pode perder o interesse necessário para responder aos estímulos do treinamento.
Baixo impacto ambiental
A escolha da espécie também é importante para evitar impactos sobre outras aves. Segundo Gabriel, o gavião não costuma demonstrar interesse por pássaros menores, e algumas dessas espécies nem sequer se assustam com sua presença.
"Por isso, a falcoaria é considerada uma alternativa de baixo impacto ambiental para afastar aves de locais onde elas podem causar problemas. A técnica é utilizada em aeroportos de diferentes países, além de hospitais, galpões e plantas industriais", apontou Gabriel.
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A empresa responsável pelo serviço no Hucam também atua no Aeroporto de Vitória, onde trabalha com quatro aves e realiza as ações com maior frequência. A companhia tem matriz em Belo Horizonte, Minas Gerais, e presta serviços no Espírito Santo e em outros estados.
Riscos e prevenção
De acordo com David, as fezes dos pombos podem favorecer a exposição a fungos, bactérias e parasitas, além de provocar danos a estruturas e sistemas de ventilação e ar-condicionado.
Entre as doenças associadas aos pombos estão a criptococose, que pode afetar os pulmões e, em casos graves, atingir o sistema nervoso central; a salmonelose, uma infecção gastrointestinal; e a histoplasmose, uma infecção fúngica sistêmica causada pela inalação de esporos do fungo Histoplasma capsulatum.
A histoplasmose, inclusive, foi confirmada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e pela Fiocruz como a causadora de surto de contaminação no hospital Hospital Santa Rita, também na capital, há um ano.
A atuação do gavião faz parte de uma estratégia mais ampla de controle ambiental. David destaca que a participação de pacientes, funcionários e visitantes é importante para evitar que os pombos continuem encontrando alimento no local. São feitas também ações de sensibilização com esses grupos, apresentando o Shiluba e explicando o trabalho que está sendo feito na área da unidade.
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"Não alimentar os pombos é uma das principais orientações da equipe. O descarte correto de restos de comida, o uso das lixeiras e o cuidado para não deixar alimentos expostos também ajudam a tornar o ambiente menos atrativo para as aves", apontou o biólogo.
A equipe orienta ainda que ninguém tente tocar em Shiluba durante as atividades e que as instruções dos profissionais sejam respeitadas.
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