Uma mulher de 37 anos registrou boletim de ocorrência em Guarujá após dar à luz um bebê natimorto no Hospital Santo Amaro. A Polícia Civil investiga o caso.
Na segunda-feira (19), a gestante buscou atendimento com pressão alta de 17. Ela recebeu medicação e foi liberada após realizar exames.
Após sentir mais dores, ela retornou ao hospital na mesma noite. Na madrugada de terça-feira (20), passou por cesárea de emergência e o bebê nasceu morto.
A paciente teve o útero retirado e disse: "Eles acabaram com o sonho da minha vida inteira de ter um filho". A polícia registrou morte natural.
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Uma mulher de 37 anos registrou um boletim de ocorrência por suspeita de negligência médica após dar à luz a um bebê natimorto no Hospital Santo Amaro, em Guarujá, no litoral de São Paulo. Ana Paula Cruz Santos alega que houve demora no atendimento após a identificação da ausência de batimentos cardíacos do bebê. Após o parto, ela também teve o útero retirado.
O parto ocorreu na madrugada de terça-feira (20). Ao g1, Ana Paula contou que, no dia anterior (19), passou por uma consulta de pré-natal de alto risco na Casa Rosa, devido à hipertensão arterial crônica. Segundo ela, estava grávida de oito meses e com a pressão arterial em 17, motivo pelo qual foi encaminhada ao Hospital Santo Amaro. A Polícia Civil investiga o caso.
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Segundo o relato, no hospital, a médica que atendeu Ana Paula ouviu os batimentos cardíacos do bebê e administrou um medicamento na veia para aliviar as cólicas. Segundo a mulher, foi solicitada uma ultrassonografia para a manhã seguinte, já que o exame não era realizado naquele horário. Ela também fez exames de sangue e urina, mas foi liberada.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso foi registrado como morte natural na Delegacia de Polícia de Guarujá, que requisitou exame pericial ao Instituto Médico Legal (IML) para esclarecimento dos fatos.
Procurado, o Hospital Santo Amaro não se posicionou sobre o caso até a última atualização desta reportagem.
Atendimento
De acordo com o relato, as dores aumentaram depois que chegou em casa e, por isso, voltou ao hospital por volta das 19h, acompanhada da mãe. Segundo ela, o médico que a atendeu tentou ouvir os batimentos do bebê, mas não conseguiu. A mulher afirmou que continuou sentindo fortes dores enquanto aguardava os resultados dos exames e passava por outros procedimentos.
“Ele colocou o aparelho na minha barriga e não escutou o coração do neném. [...] O que ele tinha que ter feito de imediato era uma cesárea de emergência”, disse ela.
Ana Paula contou que permaneceu no hospital durante a noite e que, por volta das 3h, começou a sangrar ao tentar ir ao banheiro. Em seguida, foi encaminhada para uma cesárea de emergência, mas o bebê nasceu morto.
Luto e retirada do útero
Ana Paula disse que sofreu uma hemorragia e precisou receber transfusões de sangue. Ela também afirmou que teve seu útero retirado após a cesárea, o que a impossibilita de engravidar novamente. A mulher atribui o ocorrido à assistência recebida no hospital.
“Eu não tô conseguindo processar tudo isso, acabou para mim. Quem me conhece sabe que o sonho da minha vida era ser mãe. Está doendo demais o que fizeram comigo. Eu não vou poder ter filho mais e mataram meu filho”, disse.
Ana Paula relatou que tenta lidar com a perda do bebê e com a impossibilidade de ter outros filhos. “Meu peito enche de leite e eu não tenho filho para amamentar. Eu sinto o meu bebê mexer lá dentro, mas não tem bebê nenhum. Eu fiz uma cesárea e não tenho criança. Eles acabaram com o sonho da minha vida inteira de ter um filho”, afirmou.
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