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'O Bope fazia parte dele', diz ex-mulher de subtenente morto em tiroteio entre PMs

12/10/2026

'O Bope fazia parte dele', diz ex-mulher de subtenente morto em tiroteio entre PMs

Centenas de policiais militares acompanharam nesta segunda-feira (12) o enterro do subtenente Glaucio Marcelo da Silva, de 54 anos. Ele morreu em tiroteio entre próprios policiais.

O caso ocorreu neste domingo (11) na Gardênia Azul. Policiais do Batalhão de Jacarepaguá confundiram agentes fardados do Bope com criminosos e atiraram.

Outros policiais ficaram feridos na ação e a Delegacia de Homicídios investiga o caso. A ex-mulher do subtenente cobra esclarecimentos sobre a comunicação.

Centenas de policiais militares acompanharam, nesta segunda-feira (12), o enterro do subtenente do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) Glaucio Marcelo da Silva, de 54 anos. Ele morreu após ser baleado durante um tiroteio entre policiais militares do Bope e do Batalhão de Jacarepaguá, na Freguesia, na Zona Oeste do Rio.

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Glaucio deixa três filhos e completaria 26 anos na Polícia Militar em dezembro. A maior parte da carreira foi dedicada ao Bope, unidade da qual, segundo a ex-mulher, ele era apaixonado.

"O Gláucio era um apaixonado pelo trabalho dele. Ele falava que aquilo ali fazia parte dele. Não é que ele fazia parte do Bope. o Bope fazia parte dele.", disse ela.

A morte ocorreu na madrugada de domingo (11), na Rua Guilherme Moreira, conhecida como Beco do Saci, um dos acessos à comunidade da Gardênia Azul.

Segundo a Polícia Militar, agentes do Bope que estavam fardados e em uma viatura caracterizada abordavam o motorista de um carro quando foram confundidos com criminosos por policiais do Batalhão de Jacarepaguá, que atiraram contra eles.

20 minutos de tiros

Moradores da região relataram uma intensa troca de tiros durante a madrugada. Uma câmera de segurança de um condomínio próximo registrou o barulho dos disparos.

Uma pessoa que mora na região há 43 anos contou que acordou assustada com o tiroteio e procurou abrigo dentro de casa.

"A gente tava dormindo, normal, meio da madrugada. Começou um tiroteio assustador, a gente acordou com o barulho. Eu moro aqui há quarenta e três anos, nunca passei por isso dessa magnitude assim, foram vinte minutos incessantes", disse o morador.

A testemunha disse que foi para o corredor da casa para tentar se proteger dos tiros.

"Eu tive que sair da minha cama e ir pro corredor (...) como eu não sabia da onde vinha, tentar me proteger mais, ter mais paredes pra um tiro desse tipo atravessar. Eu fiquei ali meia hora esperando que a coisa acalmasse", completou.

Outros policiais ficaram feridos

Além de Glaucio, outros policiais foram atingidos durante o tiroteio. Dois deles tiveram alta e compareceram ao enterro, ainda com curativos em uma das mãos e em uma perna. Eles não quiseram gravar entrevista.

Três policiais continuavam internados no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, segundo as informações da reportagem.

A Polícia Militar afirmou que a confusão ocorreu por causa da baixa luminosidade no local. Moradores também relataram que a rua é muito escura.

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) fez perícia no local e recolheu cápsulas que estavam espalhadas pelo chão e em veículos da Polícia Militar. Os agentes envolvidos na ação já foram ouvidos.

A ex-mulher de Glaucio afirmou que a família quer entender como a informação sobre a presença dos policiais do Bope foi transmitida aos agentes do outro batalhão.

"A gente quer entender exatamente o que aconteceu porque de primeira mão foi passado pra nós que não houve uma comunicação e nós já sabemos que foi feita uma comunicação"

"A gente quer entender quem foi comunicado, essa pessoa passou a comunicação pra todo o batalhão ou porque, se sabiam que estava naquela área, porque que aconteceu isso tudo?", questionou.

Família já havia perdido outro PM

A morte de Gláucio é a segunda perda de um policial militar na família em menos de um ano. O irmão dele, também policial, morreu em outubro de 2025 durante a Operação Contenção, na Penha, na Zona Norte do Rio. A ação deixou 122 mortos, segundo os dados divulgados à época.

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