Especialistas ouvidos pelo Globo Repórter afirmam que nem todas as pessoas precisam consumir whey protein para atingir metas de saúde e condicionamento físico.
A nutricionista Nadine Marques afirma que o brasileiro consome proteína suficiente. Ela classifica a preocupação com a falta do nutriente como um "mito do déficit proteico".
A bióloga Mari Krüger e o maratonista Danrley Ferreira apontam que a suplementação é útil apenas em situações específicas, não sendo obrigatória para adultos saudáveis.
O pesquisador Hamilton Roschel esclarece que há limites para os benefícios da proteína. O importante é o consumo diário total, desmistificando a janela anabólica imediata.
Pediatras alertam contra o uso indiscriminado do suplemento por crianças. O excesso de proteína pode sobrecarregar órgãos como rins e fígado em pessoas predispostas.
A popularização dos suplementos proteicos transformou o whey protein em presença constante nas academias, nas redes sociais e até nas prateleiras dos supermercados. Mas será que todo mundo precisa recorrer ao produto para atingir metas de saúde e condicionamento físico? Especialistas ouvidos pelo Globo Repórter afirmam que a resposta é não.
Pesquisas citadas no programa indicam que a maioria dos brasileiros já consome proteína em quantidade suficiente por meio da alimentação. Segundo a nutricionista e pesquisadora da USP Nadine Marques, o consumo médio no país ultrapassa as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o que levou pesquisadores a classificarem a preocupação generalizada com deficiência proteica como um “mito do déficit proteico”.
Apesar disso, o mercado de suplementos segue em expansão. O whey protein, produzido a partir do soro do leite, é hoje um dos suplementos mais consumidos do mundo e costuma ser associado ao ganho de massa muscular. A ciência, porém, mostra que seu papel é mais limitado do que muitos imaginam.
“O grande estimulador do aumento da massa e da força muscular é o exercício físico”, afirma o professor da USP e fisiologista do exercício Hamilton Roschel. Segundo ele, a proteína funciona como complemento, mas o principal gatilho para o crescimento muscular continua sendo o treinamento de força.
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Quando o whey pode ser recomendado
Especialistas destacam que a suplementação pode ser uma ferramenta útil em situações específicas, especialmente quando há dificuldade para atingir as necessidades diárias de proteína apenas pela alimentação.
O suplemento pode beneficiar, por exemplo:
atletas com alta carga de treinamento;idosos com perda de massa muscular ou pouco apetite;pessoas em processo de emagrecimento;pacientes que utilizam medicamentos para perda de peso;gestantes e lactantes que tenham orientação profissional.
A bióloga e divulgadora científica Mari Krüger ressalta que o whey é uma estratégia válida, mas está longe de ser obrigatório.
“Ela é uma ferramenta válida, a suplementação de proteína, com certeza, mas ela não é obrigatória para ninguém e ela também não é 'Oh, meu Deus, essa coisa mágica que faz milagre'”, afirma.
Entre os exemplos apresentados no programa está o maratonista Danrley Ferreira, que aumenta a ingestão de proteína apenas quando intensifica os treinamentos e precisa de uma recuperação muscular maior.
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Quando o suplemento é desnecessário
Para adultos saudáveis que já mantêm uma alimentação equilibrada, o consumo extra de whey costuma trazer benefícios modestos.
Segundo Hamilton Roschel, a ideia de que “quanto mais proteína, melhor” é um mito. O pesquisador afirma que existe um limite para os benefícios do nutriente e que, acima de determinado nível de ingestão, os ganhos adicionais tendem a desaparecer.
Outra crença bastante difundida é a de que o suplemento precisa ser consumido imediatamente após o treino. O especialista explica que a chamada “janela anabólica” é muito mais ampla do que se acreditava no passado. O mais importante é a quantidade total de proteína ingerida ao longo do dia, e não o horário exato do consumo.
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Crianças e adolescentes exigem atenção
A Sociedade Brasileira de Pediatria também tem alertado para o uso indiscriminado de whey por crianças e adolescentes.
De acordo com a pediatra e nutróloga ouvida pelo programa, crianças saudáveis, na grande maioria das vezes, não precisam do suplemento. Ela alerta ainda que o excesso pode não trazer benefícios e, em pessoas predispostas, contribuir para sobrecarga de órgãos como rins e fígado. Além disso, muitos produtos contêm aromatizantes, conservantes e outros ingredientes típicos de alimentos ultraprocessados.
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Comida continua sendo a principal fonte
Os especialistas reforçam que suplementos não devem substituir refeições. O ideal é priorizar uma alimentação variada, com fontes de proteína animal ou vegetal, além de frutas, legumes, verduras, cereais e leguminosas.
A nutricionista Nadine Marques chama atenção para outro problema: o excesso de foco em um único nutriente pode fazer as pessoas esquecerem que a alimentação é muito mais complexa do que a soma de proteínas, carboidratos e gorduras.
Em outras palavras, o whey pode ser útil em situações específicas e com orientação profissional. Para a maior parte das pessoas, porém, o caminho para mais saúde e força continua passando por uma combinação simples: alimentação equilibrada, atividade física regular e menos dependência de fórmulas milagrosas.
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Veja a íntegra do programa no vídeo abaixo:
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