O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira (1º) que não é possível ter certeza de que armas de destruição em massa nunca serão utilizadas e ressaltou a necessidade de evitar esse cenário.
Em discurso no Fórum Valdai, que reúne em Moscou especialistas internacionais em Rússia, Putin afirmou: "Podemos ter certeza de que essa arma nunca será usada? É claro que não. Devemos ter isso em mente e evitar que isso aconteça".
O presidente russo declarou ainda que é altamente provável que os conflitos internacionais continuem à medida que o mundo muda, mas que a situação melhoraria à medida que o que ele chamou de hegemonia ocidental fosse enfraquecendo.
"Independentemente do cenário que se desenrolar globalmente nos próximos anos, a continuidade dos conflitos internacionais é, infelizmente, altamente provável. Isso se deve, em parte, ao fato de que as mudanças fundamentais em curso — e as oportunidades que elas apresentam — alimentam ambições e a disposição de assumir riscos em busca de um retorno aparentemente enorme”, disse Putin.
Mensagem à Otan
Nesta semana, a Rússia disse à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que estaria pronta para usar armas nucleares contra a Europa caso a aliança militar tentasse isolar Kaliningrado, exclave russo às margens do Mar Báltico.
Em um documento enviado à Otan e visto pela agência de notícias Reuters, Moscou acusou a aliança de seguir um "caminho perigoso e imprudente", que poderia elevar os "riscos de eclodir um conflito armado direto".
“A Rússia estará pronta para utilizar todo o arsenal de forças e recursos à sua disposição, incluindo armas nucleares, a fim de defender seu território caso os países da Otan empreendam qualquer tentativa destinada a isolar a região de Kaliningrado do restante do país”, afirmou a Rússia no documento.
No cenário descrito por Moscou, em que Kaliningrado estaria sendo ameaçada, o governo Putin poderia recorrer a "ataques russos contra centros de tomada de decisão nos países-membros da aliança logo no início do conflito".
Em resposta, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que a aliança é apenas defensiva e não busca ameaçar Kaliningrado.
O documento enviado pela Rússia à Otan é classificado como um “non-paper”, termo usado na diplomacia para documentos informais que não constituem uma comunicação oficial.



