Uma psico-oncologista alertou que frases como "vai passar" ou "seja forte" podem minimizar o sofrimento de pacientes com câncer de mama.
A especialista explicou que o apoio começa pela escuta atenta. Pacientes costumam se queixar de comparações e da desvalorização da perda de cabelo.
Liliana Cardoso enfrentou o câncer de mama e relatou o impacto de perder o cabelo. Ela ouviu que a mudança seria "o de menos".
Sentimentos como medo, raiva e tristeza são reações esperadas após o diagnóstico. A profissional explicou que falas simples e de apoio são mais úteis.
A paciente Daniela Giacobbo relembrou a necessidade de conforto emocional e ajuda prática. A especialista recomenda perguntar como ajudar e respeitar os limites.
Na tentativa de confortar uma mulher em tratamento contra o câncer, familiares e amigos podem recorrer a frases como “vai passar”, “você precisa ser forte” ou “o cabelo cresce”.
Embora geralmente sejam ditas com boa intenção, essas expressões podem minimizar o sofrimento e impedir que a paciente manifeste medo, raiva, tristeza e ansiedade — sentimentos naturais e esperados para pacientes oncológicos.
Para uma psico-oncologista ouvida pela RBS TV, o apoio começa pela capacidade de escutar sem tentar eliminar imediatamente a dor do outro.
“Muitas vezes a gente não precisa falar. A gente tem que suportar ouvir e estar presente", explica Monica Echeverria de Oliveira.
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A profissional aponta que as pacientes frequentemente se queixam de frases como “vai passar” e de comparações com outras pessoas que enfrentaram a doença. Outro exemplo é tratar a perda do cabelo como algo menor porque os fios voltarão a crescer.
Foi o que viveu Liliana Cardoso, que passou por quimioterapia depois de receber o diagnóstico de câncer de mama.
“Uma das coisas que talvez não apareça tanto, mas para mim foi muito impactante, foi a perda do cabelo, a perda da identidade”, conta.
Ela ouviu que perder o cabelo seria “o de menos” e que cresceria novamente. Para Liliana, porém, a mudança atingiu diretamente a forma como se reconhecia.
“Cada pessoa sente de um jeito. É muito difícil, de uma hora para outra, sentir o nosso corpo mudando dessa forma.”
🔎 Hoje, 19 de outubro, é comemorado o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama.
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O que evitar
Segundo a especialista, algumas atitudes que podem aumentar o sofrimento são:
dizer simplesmente que “vai passar”;comparar a paciente com outras pessoas;minimizar mudanças provocadas pelo tratamento;exigir que a mulher permaneça forte ou positiva o tempo inteiro;tentar apresentar uma solução imediata quando ela precisa ser ouvida.
A psico-oncologista afirma que medo, raiva, ansiedade, angústia e tristeza são reações esperadas diante do diagnóstico.
“Um dos maiores sinais de força é a gente permitir se conectar com as nossas fragilidades.”
O que dizer
Uma frase simples pode ser mais útil do que discursos motivacionais:
“Estou aqui.”
Além da escuta, o apoio pode aparecer em atitudes concretas. A dentista Daniela Giacobbo, que teve câncer de mama e tinha filhos pequenos, lembra que precisou de conforto emocional e de ajuda prática durante o tratamento.
“A gente não precisa enfrentar tudo sozinha. A gente precisa das pessoas, do conforto emocional, da ajuda ficando com os filhos, no trabalho. Não é uma batalha para a gente enfrentar sozinha.”
A necessidade varia de pessoa para pessoa. Por isso, mais importante do que repetir frases prontas é perguntar como ajudar, respeitar os limites da paciente e permanecer disponível para ouvir.
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