A batalha jurídica entre o Vasco e a administração do Maracanã ganhou mais um capítulo nesta quinta-feira. A direção vascaína, ainda sem a liberação da Conmebol para utilizar São Januário contra o Boca Juniors, acionou a Justiça nesta quinta-feira para tentar garantir a realização do jogo de volta da semifinal da Copa Sul-Americana, no Maracanã.
Esta não é a primeira vez que a diretoria vascaína precisa recorrer aos tribunais para tentar mandar partidas no estádio. A disputa reacende o histórico recente de embates do Vasco com a gestão de Flamengo e Fluminense, que desde antes da atual licitação acumula episódios de recusas de aluguel sob a justificativa de preservação do gramado.
O Vasco conseguiu o direito de jogar no Maracanã na Justiça três vezes, entre 2022 e 2023, período em que Flamengo e Fluminense administravam o estádio por meio de um Termo de Permissão de Uso, que foi renovado dez vezes sem abertura de concorrência pública.
Desde a licitação de 2024, vencida por Flamengo e Fluminense, o Vasco só entrou na Justiça uma vez contra Flamengo e Fluminense — jogo contra o Vitória na Copa do Brasil —, mas perdeu.
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1. Vasco x Atlético-MG (2023)
Em 2023, o confronto diante do Atlético-MG levou o Vasco a buscar o auxílio do Poder Judiciário após o pedido de locação ser negado pelo Flamengo. Na época, o Vasco cumpria punição do STJD com portões fechados em São Januário e criticou duramente a postura da diretoria rival, acusando-a de transformar a disputa desportiva em inimizade extracampo.
Na decisão favorável ao clube, o desembargador e relator Nagib Slabi Filho ressaltou que o Maracanã vai muito além da "gestão temporária de clubes", ao definir o estádio como um "imóvel de propriedade social, não só do povo carioca, mas de todos brasileiros". Apesar de tentativas da dupla Fla-Flu de derrubar a liminar da 43ª Vara Cível do TJRJ, o Vasco conseguiu manter a autorização judicial para mandar o compromisso no estádio.
2. Vasco x Palmeiras (2023)
Ainda no ano de 2023, o duelo contra o Palmeiras exigiu nova intervenção judicial após a negativa inicial da concessionária. O desembargador Luiz Eduardo Cavalcanti Canabarro indeferiu o efeito suspensivo buscado por Flamengo e Fluminense e manteve a tutela de urgência a favor do Vasco.
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O desembargador apontou a contradição nos argumentos de preservação do gramado da dupla administradora e destacou que o próprio calendário do estádio previa uma sequência intensa de quatro jogos em um intervalo de apenas seis dias naquele mês de abril (envolvendo partidas de Flamengo e Fluminense por competições diferentes).
O Vasco havia enviado um ofício inicial um mês antes do jogo, mas, diante da ausência de resposta de Flamengo e Fluminense, recorreu aos tribunais para assegurar o direito de atuar no local.
3. Vasco x Sport (2022)
Pela 16ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro de 2022, o Vasco também precisou acionar a Justiça para mandar o confronto contra o Sport no Maracanã. A decisão do juiz Alessandro Oliveira Felix, da 51ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, enfatizou que o Maracanã é um "bem público" e que o Flamengo atuava apenas como "mero permissionário do complexo, e não, proprietário".
O impasse ocorreu após o veto da concessionária às solicitações do Vasco, que na época acumulava queixas sobre valores desproporcionais de aluguel, restrições a faixas institucionais e falta de participação nas receitas dos bares, após levar mais de 60 mil torcedores ao estádio no jogo anterior contra o Cruzeiro.
Perda na Justiça e outros pedidos negados
O Vasco havia recorrido à Justiça depois de a concessionária comunicar que não poderia disponibilizar o Maracanã para o jogo contra o Vitória, nas quartas de final da Copa do Brasil. A direção vascaína quis fazer valer o contrato costurado no ano passado com a dupla que administra o estádio e alegou que as justificativas apresentadas por Flamengo e Fluminense para o veto eram insuficientes.
A concessionária argumentou que a semana de 23 a 29 de agosto foi reservada integralmente para a recuperação do gramado. O planejamento técnico previa intervenções sem interrupção durante o período, o que, segundo a defesa, inviabilizaria a realização da partida no dia 26. O clube acabou derrotado em 1ª instância e não recorreu.
Em 2022, o Vasco foi recusado pela dupla Fla-Flu de mandar o jogo contra a Chapecoense na Série B, e o clube preferiu não levar a questão à Justiça na ocasião. O jogo marcava a estreia de Alex Teixeira e acabou ocorrendo em São Januário. Em 2026, o Vasco pediu para mandar a partida contra o Palmeiras na Copa do Brasil, mas também houve uma recusa, sem briga na Justiça.
Desde a licitação de 2024, apenas a final da Copa do Brasil de 2025 contra o Corinthians foi aceita pela Consórcio, sem briga na Justiça antes.
O cenário atual diante do Boca Juniors
Para o confronto decisivo contra o Boca Juniors neste mês, a diretoria vascaína reforça que a escolha pelo Maracanã atende tanto à norma regulamentar da Conmebol quanto às recomendações de segurança pública da Polícia Militar.
Além disso, o clube argumenta que uma eventual opção pelo Estádio Nilton Santos geraria "clara desvantagem esportiva", uma vez que o campo sintético exigiria uma adaptação ao time na competição continental. A Conmebol exige a definição oficial do palco da partida com antecedência de dez dias, o que mantém a expectativa de um desfecho nos tribunais nos próximos dias.
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