Em Itapecerica (MG), uma família transformou a propriedade dos avós em um empreendimento de turismo rural, gastronomia e produção de derivados de leite de ovelha.
Lara Dias deixou Belo Horizonte para manter a propriedade rural. Seu pai comprou a área dos irmãos para evitar que ela virasse um loteamento.
Em 2016, a propriedade contava com 130 matrizes. O foco era fornecer iogurtes e outros derivados de leite de ovelha para redes de supermercados.
A pandemia em 2020 alterou os planos familiares. O negócio passou a focar fortemente no turismo de experiência, na gastronomia e na hospedagem.
Atualmente, o local possui um bistrô e pousada com 5 suítes. Alguns queijos passam por maturação em uma estrutura de pedra por até 90 dias.
O que poderia ter se transformado em um loteamento ganhou outro destino em Itapecerica, no Centro-Oeste de Minas. Na propriedade "Sabores da Ovelha", que pertenceu aos avós de Lara Dias, a família apostou na criação de ovelhas para produção de leite e, ao longo dos anos, ampliou a atividade para a fabricação artesanal de derivados, gastronomia, hospedagem e turismo de experiência.
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A história faz parte da 6ª reportagem da série “Itapecerica: Sabores, Sons e Memórias”, que apresenta personagens, tradições, sabores e lugares que contam sobre a identidade do município. No caso da propriedade Sabores da Ovelha, a trajetória também acompanha a decisão de uma família de trocar a vida na cidade por uma nova rotina no campo.
Antes de se dedicar à criação de ovelhas, Lara morava em Belo Horizonte e trabalhava como funcionária pública. O retorno a Itapecerica aconteceu por causa de uma oportunidade profissional, mas acabou se tornando definitivo. Junto com a família, o marido Alex e três filhos: Gabi, Artur e João, ela passou a buscar uma atividade que permitisse manter a propriedade herdada dos avós e gerar renda no meio rural.
Uma nova vida no campo
O terreno seria vendido pelos herdeiros para a continuidade de um projeto de loteamento. O pai de Lara, porém, comprou a parte dos irmãos e manteve a área com a família.
“Nós começamos ali um outro estilo de vida. E nessa busca de tentar fazer esse terreno se tornar sustentável, veio a ideia da ovinocultura e da ovinocultura de leite. Isso não é muito comum na região”, conta Lara.
A escolha pela produção de leite de ovelha veio após consultorias realizadas pela família. A ideia era investir em uma atividade pouco difundida na região e apostar em um nicho com maior valor agregado.
“Nós recebemos algumas consultorias e trouxemos isso justamente por não ser comum, trabalhando na questão da exclusividade. Como é pequeno, a gente precisava agregar valor. No Brasil hoje são poucos produtores de ovelhas leiteiras que estão com algum produto no mercado. Vem crescendo, mas mesmo assim é muito pouco”, explica.
A aposta no leite de ovelha
Entre as raças escolhidas está a Lacaune, de origem francesa e reconhecida pela aptidão leiteira. A criação exige manejo diário e acompanhamento constante dos animais, que fazem parte da rotina da família desde o início do projeto.
A produção do leite é a base para a fabricação artesanal de diversos derivados. Atualmente, Lara, o marido Alex e os três filhos participam das atividades da propriedade, dividindo tarefas que vão desde o cuidado com os animais até a transformação da matéria-prima em produtos comercializados no local.
“Sou eu, Alex e os três filhos que estamos ali envolvidos nesse trabalho como um todo. Então hoje nós produzimos leite, doces de leite e iogurtes para estarem no cardápio do restaurante, para servir no café da manhã para os hóspedes e também para a venda local”, afirma.
O empreendimento já operou em uma escala maior. Em meados de 2016, a propriedade contava com 130 matrizes e planejava ampliar o rebanho para 250 animais. Na época, o foco principal estava na produção e comercialização de derivados do leite de ovelha, como queijos, iogurtes e doces de leite.
Da produção ao turismo de experiência
A pandemia em 2020 provocou mudanças nos planos da família. Até então, um dos principais produtos era o iogurte de leite de ovelha fornecido para uma rede de supermercados de Belo Horizonte. Com as transformações trazidas pelo período de crise mundial, a propriedade passou a investir fortemente no turismo de experiência, na gastronomia e na hospedagem.
“Na pandemia, a gente começa a mudar esse foco. Aí começa o turismo de experiência, começa com o bistrô, com o restaurante, e a gente diminui um pouco a produção, justamente porque a nossa mão de obra é pautada na agricultura familiar”, conta Lara.
Hoje, o Sabores da Ovelha funciona como um espaço onde produção rural, gastronomia e turismo se complementam. No bistrô, os derivados produzidos na propriedade aparecem em diferentes preparações, ao lado de queijos, doces, geleias e pratos feitos com carne de cordeiro criada no local.
Queijos maturados e sabores artesanais
Um dos diferenciais da produção é o processo de maturação dos queijos. Após a fabricação, algumas peças passam por períodos variados de descanso em uma estrutura de pedra preparada para controlar temperatura e umidade. Dependendo do resultado desejado, os queijos podem permanecer no espaço por 30, 60 ou até 90 dias.
A experiência oferecida aos visitantes também inclui contato com a rotina da propriedade e com o processo de produção dos alimentos. Em algumas ocasiões, a programação é acompanhada por apresentações musicais de Alex, Gabi e Arthur, que ajudam a compor o ambiente do local com boa música, unindo gastronomia, natureza e convivência.
Hospedagem em meio à natureza
Além do bistrô, a propriedade conta com uma pousada com cinco suítes. Quatro delas são destinadas exclusivamente a casais e uma possui banheira.
“Nós temos cinco suítes, quatro suítes exclusivamente para casal e uma suíte para casal com banheira. Então, assim, é tudo realmente bem intimista e exclusivo”, explica Lara.
Hoje, a produção de leite, os derivados artesanais, a gastronomia, a hospedagem e o turismo rural fazem parte de uma mesma experiência. O leite sai do aprisco, é transformado em queijos, iogurtes e doces, chega ao cardápio do bistrô e ao café da manhã dos hóspedes, enquanto os visitantes têm a oportunidade de acompanhar parte desse processo de perto.
A trajetória do Sabores da Ovelha mostra como uma propriedade que poderia ter sido transformada em loteamento ganhou novos significados. O espaço que permaneceu com a família se tornou fonte de renda, local de convivência e uma das experiências ligadas ao turismo rural em Itapecerica, mantendo viva a relação entre produção, memória familiar e vida no campo.
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