O enfermeiro Antonio Carlos Nicolucci, de Ribeirão Preto, cria 5 irmãos que chegaram por adoção e guarda provisória. Ele relata sua experiência de paternidade solo.
Em 2019, Antonio e o então marido obtiveram a guarda provisória de 3 irmãos. Eles acolheram Guilherme, Micaela e Chiara após contato com um grupo de apoio.
O casamento terminou após a chegada das crianças. Antonio não aceitou devolver Guilherme, afirmando: "Meu ex-esposo queria devolver o Guilherme, e eu não autorizei.".
Desde agosto de 2025, os 2 irmãos biológicos mais novos das crianças vivem com Antonio. Isabela e Emerson aguardam a conclusão do processo de destituição familiar.
Antonio concilia a rotina dos 5 filhos com a presidência do Crescendo em Família. A entidade orienta pessoas interessadas em adotar e acompanha novas famílias.
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O enfermeiro Antonio Carlos Nicolucci, de Ribeirão Preto (SP), é pai de seis filhos e cria cinco irmãos que chegaram à família por meio da adoção e da guarda provisória. Três deles foram adotados em 2019, e os dois mais novos vivem com ele desde agosto de 2025, enquanto o processo de destituição do poder familiar segue na Justiça.
Os filhos são Vitor, de 24 anos, Guilherme, de 15, Micaela, de 13, Chiara, de 8, Isabela, de 5, e Emerson, de 3. Os cinco mais novos moram com ele, estudam em período integral e dividem uma rotina que tem brincadeiras, discussões entre irmãos e até rodízio para decidir quem vai se sentar ao lado do pai nas refeições.
Neste Dia dos Pais, Antonio diz que a paternidade não depende da forma como os filhos chegam à família. Para ele, o vínculo entre pais e filhos não nasce pronto: é construído na convivência.
“Não existe esse amor que nasce do dia para a noite. O amor verdadeiro é construído. Você sabe, naquele momento, que tem um ser ali que depende totalmente de você. E você tem a função, como pai, de direcionar ele para uma vida.”
A história começou anos depois do nascimento do primeiro filho, quando Antonio decidiu aumentar a família pela adoção e procurou o Crescendo em Família, grupo de apoio e incentivo à adoção em Ribeirão Preto.
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O primeiro encontro
Antonio conta que sempre quis ser pai. Anos depois do nascimento do primeiro filho, decidiu aumentar a família pela adoção e procurou o Crescendo em Família, grupo de apoio e incentivo à adoção em Ribeirão Preto.
Na época, ele era casado, e o casal se habilitou para receber até três crianças com idades entre zero e 8 anos.
Em 2019, pouco depois da habilitação, veio a ligação sobre três irmãos que estavam em um serviço de acolhimento. Guilherme tinha 8 anos, Micaela, 6, e Chiara, 2.
Antonio afirma que, inicialmente, teve receio de conhecê-los porque o processo de destituição do poder familiar ainda estava em andamento. Depois de conversar com a equipe responsável pelo caso, decidiu fazer a visita.
No primeiro encontro, foi surpreendido pela reação de Guilherme.
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“O Guilherme saiu lá da frente correndo, pulou no meu colo e me chamou de pai. Aí ele me pegou na mão. Acabou comigo, me pegou demais.”
Poucas semanas depois, os três passaram o Dia dos Pais com Antonio e o então marido. Em agosto daquele ano, eles receberam a guarda provisória das crianças.
A chegada dos irmãos mudou a rotina da casa e trouxe um período de adaptação, principalmente para Guilherme.
Segundo Antonio, o menino teve problemas de comportamento nos primeiros anos, e ele era chamado com frequência pela escola. Em uma das conversas, decidiu deixar claro que as dificuldades não fariam com que o filho fosse afastado novamente da família.
“Se você está fazendo isso achando que eu vou te devolver, você está muito enganado, porque eu não vou te devolver. Filho é filho, ponto. Entenda isso. Depois disso, nunca mais eu tive problema com o Guilherme na escola.”
O casamento terminou depois da chegada das crianças. Antonio afirma que o então marido cogitou desistir da adoção de Guilherme, mas ele não aceitou.
Atualmente, o ex-marido vive em Brasília e, segundo Antonio, mantém contato com os filhos por telefone.
“Meu ex-esposo queria devolver o Guilherme, e eu não autorizei. Falei que o casamento poderia acabar. Com as crianças, não tinha chance”, relata.
A família cresceu de novo
Em março de 2025, Antonio decidiu entrar novamente no processo de habilitação para adoção. No mês seguinte, recebeu um contato da Justiça informando que outros dois irmãos biológicos de Guilherme, Micaela e Chiara estavam sendo encaminhados para adoção.
Antonio conta que ficou receoso sobre como os filhos receberiam a notícia e decidiu conhecer as crianças antes de promover a aproximação entre os irmãos.
“Eu fui conhecê-los e saí de lá com a certeza de que eu não podia deixar eles irem para outra família. Aí eu pedi a guarda dos dois.”
Isabela e Emerson vivem com Antonio desde agosto de 2025. Segundo ele, o processo de destituição do poder familiar ainda não foi concluído e, por isso, a guarda dos dois permanece provisória até uma definição da Justiça.
Antes da chegada deles, Antonio conversou com os três irmãos mais velhos. Segundo ele, os filhos lembraram de algo que o próprio pai havia dito anos antes, quando explicava por que os três tinham sido adotados juntos.
“Quando eles me perguntaram por que eu não adotei só um deles, eu falei que irmão não separa, que eu não ia separar irmão. E, quando eu contei, eles falaram assim: agora você não vai poder falar diferente, porque irmão não pode separar.”
No primeiro encontro entre os cinco irmãos, segundo Antonio, Emerson ficou no colo de Guilherme e não queria sair. A convivência foi sendo construída a partir dali.
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Rotina com cinco filhos em casa
Com cinco filhos vivendo em casa, Antonio organiza os dias entre o trabalho e os compromissos das crianças.
Durante a semana, elas estudam em período integral. Aos fins de semana, os passeios costumam ser em parques, praças e outros espaços próximos de casa.
A convivência entre irmãos tem momentos de parceria e também de discussão. Até o lugar ao lado do pai durante as refeições precisou entrar em um rodízio para evitar disputa.
“Uma hora um defende o outro, outra hora um está brigando com o outro. É um filme sem fim. Todo mundo briga para sentar do meu lado na mesa. Tem que fazer rodízio.”
A experiência como pai também levou Antonio a se aproximar do Crescendo em Família. Ele começou a participar dos encontros depois da chegada dos primeiros filhos e, anos depois, assumiu a presidência da entidade, que orienta pretendentes à adoção e famílias que já receberam crianças.
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O grupo promove encontros, palestras e rodas de conversa sobre adoção e conta com voluntários, inclusive psicólogos, para acompanhar as famílias.
Segundo Antonio, a experiência dentro de casa mostrou que a paternidade exige tempo e disposição para lidar com as necessidades dos filhos.
*Sob supervisão de Lucas Zanetti
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