Duas sucuris-amarelas foram filmadas entrelaçadas na região de Porto Jofre, no Pantanal de Mato Grosso, mas bióloga afirma que não é possível confirmar o acasalamento.
O registro foi feito na última semana por Lyessa Scarlet. Segundo a especialista, as serpentes também podem permanecer juntas e entrelaçadas durante momentos de repouso.
As imagens ainda revelam carrapatos presos aos corpos das cobras. A sucuri-amarela não é venenosa e as fêmeas podem atingir cerca de 4 metros de comprimento.
Duas sucuris-amarelas foram flagradas entrelaçadas em meio às pedras na região de Porto Jofre, no Pantanal mato-grossense. O registro foi feito na última semana por Lyessa Scarlet, que trabalha com turismo na região. A posição das serpentes chamou a atenção pela possibilidade de elas estarem acasalando, mas uma especialista ouvida pelo g1 explica que não é possível confirmar a reprodução apenas pelo vídeo.
Nas imagens, as duas sucuris aparecem praticamente imóveis, enroladas uma à outra (assista acima). Lyessa contou que observou os animais no mesmo ponto durante dois dias seguidos.
"Elas estavam praticamente paradas. Eu cheguei a observá-las em dois dias seguidos, no mesmo local. No primeiro dia, estavam naquela posição que aparece no registro; no dia seguinte, a fêmea já estava com o rosto voltado para frente. A fêmea é maior e mais amarelada, enquanto o macho é menor e mais escuro", contou.
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Segundo ela, dias antes do registro, guias que trabalham na região haviam visto a mesma fêmea acompanhada por outros dois machos.
Era acasalamento?
Apesar de as duas sucuris aparecerem entrelaçadas no vídeo, a bióloga Angélica Gomes da Silva explicou ao g1 que as imagens, sozinhas, não permitem confirmar que os animais estavam acasalando. Um dos pontos que levantam essa dúvida é justamente a época em que o registro foi feito.
Segundo a especialista, serpentes também podem permanecer juntas e entrelaçadas durante momentos de repouso.
"Às vezes as serpentes gostam de ficar em repouso dessa forma. Geralmente, o período de acasalamento da espécie ocorre entre abril e maio. Estamos bem fora desse período", explicou.
Durante a época reprodutiva, as fêmeas liberam feromônios capazes de atrair vários machos. Com mais de um indivíduo disputando a oportunidade de copular com a mesma fêmea, podem se formar os chamados "bolos de serpentes", caracterizados justamente por vários animais entrelaçados.
Mesmo sem ser possível confirmar o que ocorria no momento do vídeo, a bióloga destaca que presenciar a reprodução desses animais na natureza não é comum.
"O acasalamento de serpentes é sempre raro, ainda mais com indivíduos desse porte", afirmou.
No último dia 8, um trabalhador registrou o acasalamento entre três cobras caninanas em uma propriedade rural próxima a Cáceres, a 220 km de Cuiabá. Nas imagens, as três serpentes aparecem inicialmente entrelaçadas. Em seguida, dois dos animais erguem parte do corpo e começam uma disputa que, à primeira vista, se assemelha a uma luta ou até mesmo a uma dança. Enquanto os dois machos se enfrentam, a fêmea permanece entrelaçada, acasalando com um deles (assista abaixo).
A bióloga também reforça que, mesmo durante um possível comportamento reprodutivo, as serpentes não devem ser incomodadas. Além do risco de uma reação defensiva dos animais, a aproximação pode interferir no comportamento natural da espécie.
"Se aproximar e mexer com esses bichos é sempre um risco. Primeiro porque eles estão focados na reprodução e qualquer aproximação pode ser vista como ameaça. Segundo, porque não podemos atrapalhar a biologia natural da espécie".
Carrapatos chamam atenção
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Outro detalhe que aparece nas imagens são carrapatos presos aos corpos das duas sucuris. Embora esses parasitas sejam normalmente associados aos mamíferos, a presença deles nas serpentes é relativamente comum, segundo Angélica.
Eles se fixam em regiões onde as escamas são mais finas ou em pequenas dobras na pele. No entanto, a quantidade de parasitas dependem de alguns comportamentos.
"Como elas trocam de pele e permanecem na água, às vezes não têm muitos. Quando elas ficam muito tempo fora da água, ficam mais suscetíveis à infestação".
A sucuri-amarela
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A sucuri-amarela (Eunectes notaeus), também conhecida como sucuri-do-Pantanal, não é venenosa. O nome está relacionado à coloração amarelada do corpo.
As fêmeas são maiores e podem atingir cerca de 4 metros de comprimento, enquanto os machos chegam a aproximadamente 2,5 metros. A espécie pode se alimentar de peixes, aves, jacarés, lagartos e mamíferos.
As sucuris são serpentes semiaquáticas e podem permanecer imóveis dentro ou perto da água à espera do momento adequado para capturar uma presa. Essa estratégia permite economizar energia e diminuir a exposição a predadores.
Os olhos e as narinas ficam posicionados na parte superior da cabeça, o que permite que mantenham apenas uma pequena parte do focinho fora da água enquanto respiram.
Quando atacam, as sucuris mordem a presa e usam o corpo para envolvê-la. A constrição comprime a vítima e impede a respiração adequada. Ao contrário de uma crença popular, a estratégia não tem como objetivo quebrar os ossos da presa.
Como são animais ectotérmicos, as sucuris dependem da temperatura do ambiente para regular o próprio metabolismo. Depois de consumir uma presa grande, podem permanecer imóveis e camufladas durante a digestão.
Caso sejam perturbadas após se alimentarem, também podem regurgitar a presa. Isso reduz o peso e o volume do corpo e facilita uma eventual fuga.

